Etanol de milho cresce no Brasil, mas expansão esbarra em desafio bilionário da biomassa; solução estaria na cana-de-açúcar?
A franca e acelerada expansão do etanol de milho no Brasil está criando um novo desafio para as usinas: garantir energia suficiente para acompanhar o crescimento da produção sem ampliar a dependência de biomassa de origem não sustentável.
Enquanto novas plantas entram em operação e a capacidade instalada deve mais que dobrar até 2030, a oferta de insumos como cavacos de madeira precisa crescer na mesma proporção.
O problema é que formar florestas de eucalipto leva anos e exige capital, criando um descompasso entre a velocidade de expansão das usinas e o tempo necessário para assegurar uma fonte regular de biomassa.
Segundo cálculos de Andy Duff, analista do Rabobank, a biomassa representa aproximadamente 7% a 8% do custo total de produção da usina — uma parcela sensível, principalmente em períodos de margens pressionadas.
O analista conversou com o Money Times sobre possíveis soluções.
Cana-de-açúcar pode ser uma opção? Uma alternativa está na integração com a cana-de-açúcar, cujo bagaço pode abastecer a produção de etanol de milho.
A vantagem, porém, depende da estrutura existente: Duff vê mais espaço para adicionar o cereal às usinas canavieiras do que para incorporar canaviais às plantas dedicadas ao milho.
Segundo um estudo recente do Itaú BBA , a capacidade instalada de produção de etanol de milho deve passar de 10,9 bilhões de litros, em 2025, para 25,3 bilhões, em 2030, avanço de 132%.
Esse crescimento exigiria uma ampliação expressiva da oferta de biomassa.
Se o eucalipto fosse a única fonte de biomassa utilizada, o setor precisaria de aproximadamente 816 mil hectares de florestas plantadas no país para sustentar a capacidade projetada para 2030.
O desafio é especialmente relevante no Mato Grosso, principal polo produtor.
A capacidade do estado deve subir de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros entre 2025 e 2030.
No cenário do banco, seriam necessários aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto, ante os atuais 165 mil hectares.
Considerando um custo de implantação e condução de R$ 35 mil por hectare ao longo de 13 anos, os 218 mil hectares adicionais demandariam investimentos próximos de R$ 7,6 bilhões .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.moneytimes.com.br — o conteúdo pertence a Money Times.