Com salários elevados, Palmeiras e Flamengo amargam déficits financeiros no 1º semestre
Palmeiras e Flamengo se tornaram as duas principais forças do futebol brasileiro nos últimos anos, com conquistas em série nos níveis estadual, nacional e continental baseadas em elencos estrelados -e caros. Segundo dados do site especializado Transfermarkt, o alviverde tem o plantel mais valioso do país, avaliado em cerca de EUR 232,5 milhões (R$ 1,4 bilhão), seguido pelo do rubro-negro, com EUR 218 milhões (R$ 1,3 bilhão). O Cruzeiro é o terceiro, com um elenco de EUR 167 milhões (R$ 995 milhões).
As altas cifras envolvidas para manter os principais atletas e ainda trazer reforços, porém, cobraram seu preço no primeiro semestre de 2026, quando a dupla registrou déficit. O caso do Palmeiras é o que parece requerer maior atenção, já que o clube palestrino amargou, sozinho, despesas acima das receitas da ordem de R$ 124,1 milhões de janeiro a junho.
No semestre, só o futebol profissional registrou um déficit de aproximadamente R$ 150 milhões, resultado que reflete receitas de R$ 410 milhões e despesas de R$ 560 milhões. A maior despesa é justamente na linha de "pessoal e encargos sociais", que atingiu R$ 196 milhões. Vêm na sequência "amortização -direitos com jogadores" (despesa contábil que o clube reconhece ao longo dos anos de contrato pela aquisição de um jogador), no valor de R$ 154 milhões, e "despesas com direito de imagem", que alcançaram R$ 71,2 milhões.
"Os custos salariais estão completamente fora da realidade. O clube teve receitas bem abaixo do que havia orçado para o período, de R$ 540 milhões contra R$ 720 milhões, enquanto os custos "continuam nas alturas", disse Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value.
Procurado, o Palmeiras informou que não se pronunciaria. A diretoria do clube já havia sinalizado que priorizaria a manutenção de atletas considerados imprescindíveis, que aproximem o time de novas conquistas dentro de campo.
"Havia a previsão de faturar R$ 200 milhões com a venda de direitos de jogadores, e o clube fechou com apenas R$ 50 milhões no período", afirmou Fernando Trevisan, especialista em gestão e marketing esportivo e diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios.
Um dos nomes mais cobiçados por clubes europeus é o atacante argentino Flaco López, vice-campeão da Copa do Mundo com a Argentina e artilheiro do Palmeiras na temporada, com 17 gols em 40 partidas. Ainda segundo avaliação interna do clube, a pausa para o Mundial comprometeu as receitas com bilheteria. Segundo Somoggi, sem uma correção de rota, o déficit pode alcançar R$ 200 milhões até o fim do ano.
No caso do Flamengo, o déficit foi bem menor, de R$ 33,8 milhões. Diferentemente do rival paulista, o rubro-negro carioca não teve grandes quedas de receita, tendo inclusive registrado aumento dos ganhos obtidos no semestre com a área de marketing e também relativos à operação do Maracanã.
O que mais pesou para o déficit foi o investimento elevado na janela de transferências do início do ano, quando o clube desembolsou cerca de EUR 53,7 milhões (R$ 320 milhões).
A maior parte do valor foi destinada à repatriação de Lucas Paquetá, que estava no West Ham, da Inglaterra, e custou aproximadamente EUR 42 milhões (R$ 250 milhões).
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