Jornal: Marcola recebeu mensagem de amiga de Lulinha sobre contrato, diz PF
Documento teria sido enviado pela lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. De acordo com O Globo, a minuta previa a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde com dispensa de licitação, mas o negócio não foi adiante.
Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou. Pessoas próximas a ele relataram que o ex-chefe de gabinete considerou o recebimento do documento "inadequado", mas negou que tenha havido favorecimento.
Investigação cita que Roberta foi contratada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso pela PF. Segundo a apuração, ela recebeu R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil para viabilizar a venda de canabidiol ao Ministério da Saúde, com a ideia de disponibilização no SUS (Sistema Único de Saúde).
Mensagens em poder da PF também mostram conversas de Roberta com Lulinha sobre os negócios. "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça. Poucos negócio é bom (sic). Esse povo aqui tá em outra vibe", escreveu ela em março de 2024. Lulinha respondeu à empresária: "Isso. Deixa eles. Trabalho para car**** e nunca dá em nada", disse ele, segundo a investigação.
O envio da mensagem a Marcola aparece em uma das apurações que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Lulinha é investigado em três inquéritos por suspeita de tráfico de influência no governo, e uma das linhas envolve a relação dele com a empresária.
O inquérito também menciona repasses e pagamentos feitos por Roberta que teriam relação com Marcola. A PF aponta que ela pagou boletos e comprou presentes que seriam entregues por ele, incluindo joias pedidas para o Dia das Mães de 2024; em um caso, a fatura foi de R$ 9,2 mil.
Marcola disse que os valores repassados por Roberta chegaram a R$ 217 mil e foram quitados por R$ 249 mil, já com correção pela inflação. A defesa da empresária afirmou que o processo está sob sigilo e não vai se manifestar.
Defesa de Lulinha afirmou ao Globo que só vai se manifestar após ter acesso integral ao material. Em nota, disse que "reafirma sua confiança nas instâncias formais e adequadas de apuração dos fatos e se manifestará nos autos em momento adequado, somente após o acesso integral aos dados obtidos pelas quebras de sigilo". A defesa de Luchsinger não comentou.
Os advogados também criticaram o vazamento de informações e falaram em apuração sobre eventual quebra de sigilo. "Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional crime previsto no art. 325 do Código Penal, o recorte seletivo e a divulgação parcial das referidas supostas mensagens revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade e de obediência às leis, deixando de lado a verdade ou o interesse público para buscar, por meio da exposição midiática, efeitos que a via processual legítima e adequada não permitiria?" afirmaram.
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