Bancos devem destinar R$ 16 mi a educação financeira no âmbito do Desenrola 2.0
São Paulo Quase dois meses após o fim do Desenrola 2.0 , ainda está em discussão a contrapartida que os bancos precisam oferecer em iniciativas de educação financeira . Como determina a medida provisória 1.355, as instituições participantes do Novo Desenrola devem destinar 1% dos recursos liberados pelo FGO (Fundo de Garantia de Operações) para essas medidas até maio de 2027.
A medida provisória também prevê que as iniciativas sejam pactuadas em comum acordo com o Ministério da Fazenda. Segundo os bancos consultados pela Folha , as ações continuam em debate com a pasta.
O Desenrola 2.0, que vigorou de 4 de maio a 31 de agosto, renegociou cerca de 5,54 milhões de débitos, cujo valor original somava R$ 28,37 bilhões, segundo dados da Fazenda. Com descontos de cerca de 80%, os valores repactuados caíram para R$ 5,7 bilhões, quitados em sua maior parte à vista.
Os débitos parcelados e garantidos pelo FGO somaram R$ 1,6 bilhão. Com isso, os bancos precisam destinar R$ 16 milhões a iniciativas educativas.
Desse total, cerca de R$ 5 milhões serão destinados ao Amplifica Educação Financeira, programa setorial criado por instituições do sistema financeiro para ampliar essas ações no âmbito do Desenrola, segundo a Fin (Confederação Nacional das Instituições Financeiras), que representa entidades como Febraban , Zetta e ABBC.
Outros R$ 11 milhões também estão previstos para ações de educação financeira, mas ainda não têm destinação definida e não fazem parte do Amplifica.
Segundo a Fin, a iniciativa setorial surgiu da possibilidade prevista na regulamentação de as instituições financeiras desenvolverem projetos conjuntos de educação financeira por meio de suas entidades representativas.
"A proposta é reunir, em um esforço conjunto, o setor financeiro para fortalecer iniciativas de educação e cidadania financeira capazes de chegar a mais pessoas, inclusive além do público que participou do Desenrola, com atenção especial às pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e às mulheres ", afirma a entidade.
Para Carlos Castro, planejador financeiro e CEO da SuperRico, o dinheiro deveria ser empregado em uma medida mais prática, que impeça pessoas de voltarem a se endividar.
"As instituições disponibilizam um conteúdo [de educação financeira] que não é suficiente. A pessoa dificilmente vai consumi-lo e, mesmo que consuma, isso não necessariamente gera transformação. Apenas produzir conteúdo não resolve", diz o especialista.
Ele sugere que seja obrigatório ao cliente informar ao banco sua renda e seu gasto mensais antes de contratar um empréstimo. Se o banco identificar que as informações prestadas estão distantes do perfil do cliente ou não condizem com a dívida a ser contratada, o empréstimo seria negado.
"A pessoa precisa confirmar que tem o mínimo de organização financeira para obter crédito.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.