Salles justifica expressão "passar a boiada": "Ideia era desburocratizar"
Candidato ao Senado e ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo) disse que a expressão “passar a boiada” — dita por ele em uma reunião ministerial de 22 de abril de 2020 — tinha o intuito de propor uma “desburocratização em todos os ministérios” .
“O Brasil é o inferno do empreendedor, é o país que torna a vida de todo mundo uma verdadeira via cruzes quando se trata de licenças, de autorizações, regras absurdas, tributação absurda e foi isso que eu disse naquela reunião e continuo dizendo ”, argumentou.
Na ocasião, Salles era ministro do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e defendeu aproveitar o momento em que a imprensa estava concentrada na pandemia de Covid-19 para avançar com mudanças de regras ambientais .
Em entrevista ao Metrópoles , em São Paulo , Salles justificou que estava propondo um “trabalho de modernização”.
“Nós temos que desburocratizar regras contraditórias no Brasil, não só no meio ambiente, mas em todas as matérias, tornar o empreendedorismo, o investimento, coisa que possa ser feita com menos óbices formais”, afirmou.
Sob o comando de Salles no Meio Amiente, o Brasil registrou alta no desmatamento .
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o problema na Amazônia passou de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 10 mil km² em 2019 e chegou a 13 mil km² em 2021.
Contudo, na gestão de Marina Silva — atual adversária de Salles na disputa ao Senado — no ministério, entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento somaram 2.8 km², uma queda de 36% em relação ao ciclo anterior.
Trata-se do menor resultado da série histórica para esse período, iniciada em 2016.
“O discurso da Marina é muito bonitinho na história do desmatamento e mudança climática, mas o saneamento básico, que é o principal problema ambiental brasileiro, ela não dá a menor bola”, alegou Salles.
Atualmente, Salles é réu na Justiça por um suposto esquema de facilitação ao contrabando de madeira ilegal extraída da Amazônia.
Contudo, o ex-ministro do Meio Ambiente nega as acusações.
“A história de desmonte ambiental foi escrutinada no detalhe pelo Judiciário e foi concluída.
Não houve desmonte ambiental nenhum, era tudo mentira”, argumentou.
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