Consumo crônico de goma xantana pode causar inflamação intestinal
Produzida a partir da fermentação natural de açúcares pela bactéria Xanthomonas campestris , a goma xantana passa por etapas de purificação, desidratação e moagem antes de ser utilizada pela indústria ( imagem: Sutterstock )
Aditivo alimentar está amplamente presente em produtos sem glúten e ultraprocessados. Em experimentos com ratos, a ingestão da substância durante dez semanas alterou a barreira protetora do intestino e ativou o sistema de defesa local
Aditivo alimentar está amplamente presente em produtos sem glúten e ultraprocessados. Em experimentos com ratos, a ingestão da substância durante dez semanas alterou a barreira protetora do intestino e ativou o sistema de defesa local
Produzida a partir da fermentação natural de açúcares pela bactéria Xanthomonas campestris , a goma xantana passa por etapas de purificação, desidratação e moagem antes de ser utilizada pela indústria ( imagem: Sutterstock )
Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – A goma xantana é um aditivo amplamente utilizado na indústria de alimentos para estabilizar receitas e ajustar a consistência de sorvetes, iogurtes, bolos, molhos e massas sem glúten, sendo também essencial no preparo de bebidas para quem tem dificuldade de engolir – condição conhecida como disfagia. No entanto, um novo estudo liderado por pesquisadores brasileiros indica que o consumo contínuo dessa substância pode promover um estado inflamatório no intestino.
Publicado na revista PLOS One em abril, o trabalho utilizou ratos adultos para investigar os impactos desse aditivo no organismo. Os resultados validam, de forma experimental, preocupações clínicas antigas: em 2011, a agência norte-americana FDA (U.S. Food and Drug Administration) chegou a emitir um alerta contra o uso de espessantes à base de goma xantana em fórmulas para bebês prematuros por suspeita de que a substância estaria associada ao desenvolvimento de enterocolite necrosante – inflamação grave que leva à morte das células intestinais. Na ocasião, ao menos sete mortes de prematuros foram associadas ao uso do espessante.
Atualmente, nos Estados Unidos, o uso da goma xantana segue uma regulação mais cautelosa que a brasileira, com cálculo de concentração por grama de produto para pessoas maiores de 12 anos e restrições ao uso em fórmulas e alimentos para bebês. Para prematuros, a proibição é total. A despeito de toda a ação regulatória após o caso envolvendo recém-nascidos, o conhecimento científico sobre o efeito do aditivo no intestino humano não avançou.
“Até agora, a relação entre a goma xantana e a doença nos bebês era apenas uma hipótese clínica ou uma observação empírica. O estudo realizado em ratos comprovou a causalidade, ou seja, que esse aditivo alimentar de fato causa a inflamação", diz à Agência FAPESP Claudia Oller , professora da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenadora da pesquisa, apoiada pela FAPESP.
Para compreender os efeitos da goma xantana no trato gastrointestinal, os pesquisadores conduziram testes ao longo de dez semanas. Ratos adultos foram divididos em quatro grupos. O primeiro não consumiu goma xantana (controle).
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.