Da administração à ficção policial: aos 43, ela descobriu a paixão pela escrita criando diários no exterior e já publicou 7 livros
Formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Marketing , a brasiliense Luciana de Gnone, 50 anos, trabalhou por 15 anos nessas duas áreas. Mas, 7 anos atrás, aos 43, ela descobriu uma nova paixão: a escrita. No início, como ela estava morando fora do Brasil, escrever era apenas uma forma de reconexão com suas raízes e um propósito. Hoje é muito mais do que isso: Luciana se tornou autora e roteirista de ficção policial e já tem 7 livros publicados.
Ao Terra , a escritora se define como uma pessoa que gosta de viajar, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Ela lembra que, na adolescência, inclusive desejava ser comissária de bordo. "Acabei não seguindo essa carreira, mas a vida me colocou para viajar. Por 12 anos eu morei fora, viajando por muitos lugares em função do trabalho do meu marido e acabei encontrando a literatura que também é uma forma de me fazer viajar. De certa forma, consegui concretizar esse meu sonho de viver viajando", afirma.
Luciana nasceu em Brasília, mas morou desde os primeiros anos da infância no Rio de Janeiro. Após se formar na faculdade, ela trabalhou 15 anos na área de comércio exterior, se casou e teve dois filhos. Em 2009, seu marido recebeu uma proposta para trabalhar no exterior e a família embarcou nessa "grande aventura" até 2021. Juntos, eles passaram por Cazaquistão, Colômbia, México e Costa Rica. Nesse período, ela saiu da empresa em que atuava.
A escritora recorda que não foi uma criança que lia e escrevia, foi somente nos últimos anos da adolescência que ela começou a pegar gosto pela leitura. No entanto, a vocação de leitora, "de não ficar um dia sem ler", só engrenou mesmo quando ela estava morando no exterior. Quando visitava o Brasil, ela inclusive voltava com a mala cheia de livros.
Já a escrita despertou para Luciana quando ela morava no Cazaquistão, país dos quatro que viveu fora que ela considera que teve a adaptação mais fácil. "A comunidade estrangeira lá é muito unida. Na primeira semana, eu já tinha festa para ir, já estava conhecendo gente do mundo inteiro. E eu já falava inglês, então essa transição não foi ruim. E não tem brasileiros, existe uma comunidade grande de latinos, e eles se juntam fortemente."
Luciana conta que, no país, passou a escrever diários para os amigos e familiares no Brasil. "Eu escrevia o meu dia a dia como se fosse um diário, colocava fotos, porque o Cazaquistão era muito diferente da nossa cultura. Eu fazia no Word e mandava para uma lista de pessoas no Brasil", detalha.
"E eu recebia uns feedbacks assim: 'Você tem uma condução da narrativa tão bacana, devia escrever um livro'. Mas eu pensava: 'nunca fui boa em português, sempre fui aluna mediana em português, passava raspando, não tenho a menor condição de escrever um livro'. Depois, a gente vai vendo que não é bem assim, que a gente pode se desenvolver", acrescenta.
Teve um dia, porém, que Luciana estava sem um livro novo para ler e decidiu escrever uma história que gostaria de ler, mas sem a pretensão de publicar. "Comecei a escrever o meu primeiro livro, que se chama Súplica em Olhos Mortos , que trata da escravidão moderna no interior de Alagoas.
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