Moody’s vê ajuste fiscal gradual e dívida em alta no novo mandato de Lula
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve mudar a trajetória da política fiscal brasileira, segundo avaliação da Moody’s divulgada nesta segunda-feira (26).
A agência prevê que o governo mantenha o atual regime fiscal e faça ajustes graduais, enquanto a dívida pública e os gastos com juros seguem pressionando as contas.
A Moody’s não alterou sua avaliação do crédito soberano do Brasil, classificado como Ba1, com perspectiva estável.
Continua após a publicidade A agência afirma, porém, que a falta de um compromisso mais firme com o controle das despesas pode manter os déficits elevados e aumentar o peso da dívida ao longo do tempo.
O cenário também deve dificultar a aprovação de medidas no Congresso.
O PL, principal partido de oposição, ampliará sua bancada a partir de 2027: terá 28 das 81 cadeiras no Senado, ante 16 atualmente, e 121 das 513 vagas na Câmara, contra 98.
Continua após a publicidade Dívida deve continuar crescendo A dívida bruta do governo geral subiu de cerca de 72% do PIB, na eleição de 2022, para aproximadamente 83% atualmente, segundo a Moody’s.
Projeções do Tesouro Nacional divulgadas em abril indicam que o indicador pode chegar a 86% do PIB em 2027 e atingir quase 88% em 2029, antes de começar a recuar.
A agência estima que seria necessário alcançar superávit primário de 2% a 3% do PIB para estabilizar a dívida.
O resultado primário considera receitas e despesas do governo, sem incluir os juros da dívida.
Em 2026, o déficit primário está próximo de 0,5% do PIB.
Continua após a publicidade Mesmo com esse déficit menor, os gastos com juros mantêm o déficit nominal, que inclui essa despesa, entre 8% e 9% do PIB, de acordo com o relatório.
O pagamento de juros consome cerca de 20% da receita do governo geral.
A margem para cortar gastos é restrita.
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