O futuro governador... Do futuro? (por Felipe Sampaio)
Arrumando uns alfarrábios esbarrei neste artigo que publiquei há 20 anos no Jornal do Commercio (Pernambuco, 2006).
Reproduzo abaixo porque ainda vale nas eleições de 2026, para todo o Brasil.
A idade é a régua para medir a qualidade do político? E os herdeiros de linhagens políticas tradicionais, agora candidatos a cargos legislativos e executivos, demonstram capacidade de encarar os desafios atuais, ou seria apenas mais um museu de grandes novidades? Segue o artigo original: “Não quero me referir particularmente a algum candidato, tampouco fazer campanha para direita, esquerda ou centro, se é que ainda seria tão simples distinguir claramente entre as atuais coligações eleitorais.
Prefiro falar da mudança de ciclo político que os pernambucanos gostariam de presenciar em outubro próximo, considerando-se a renovação das lideranças políticas estaduais que se propagandeia.
Renovação em que aspectos? Será que o sangue novo dos políticos jovens trará, de fato, vida nova também para o restante da população? É bem verdade que um ciclo se encerra na política estadual.
Antigos líderes dão passagem [nem sempre voluntariamente] a rostos joviais com discurso de modernidade.
É um processo natural [muitas vezes, precoce], mas, serão esses jovens os representantes reais do novo ciclo que se inicia [na humanidade e na natureza]? Devemos reconhecer que nos últimos anos houve alguma realização importante em infraestrutura e atração de investimentos privados.
Todavia, Pernambuco ainda precisa virar a página, diminuir a distância persistente entre a sua posição socioeconômica e a de outras regiões no mundo.
Por que do mundo? Simplesmente, porque não bastará às lideranças jovens estabelecerem comparações com os governos anteriores, assim como não bastará comparar os resultados de Pernambuco com os indicadores de estados vizinhos.
É o que afirma o jornalista norte americano Thomas Friedman, em seu ‘O Mundo É Plano’.
Regiões que se encontram em posição econômica e social desfavorável devem elevar seus objetivos para além das fronteiras físicas do seu território e para além de sua herança histórica e cultural. ‘Menos recordações e mais sonhos’.
Se for assim, daqui para frente o Leão do Norte vai precisar se inspirar muito mais na garra dos Tigres Asiáticos do que nas memórias de apogeu da casa grande açucareira ou da Mauritztad seiscentista.
Um ‘governador do futuro’ deveria se concentrar em um desafio que vai além da geração de empregos na indústria e no campo.
Sua atenção estaria no setor de serviços, na geração de conhecimento, [no empreendedorismo], na concorrência – ou na complementaridade – com culturas remotas.
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