Matriarca de Campo Grande, Maria Carolina é personagem “esquecida” na história
Numa história contada por homens, as mulheres acabam esquecidas.
E é essa a sina de Maria Carolina de Oliveira, mais conhecida como a “esposa do fundador” de Campo Grande.
Tentar encontrar fragmentos da matriarca da cidade é tarefa árdua, seja em vida ou morte.
Certo é que participou, ao lado do marido José Antônio Pereira (que assinava o nome como Jozé em documentos como juiz de paz, mas aqui vamos manter a grafia mais tradicional), da jornada de 1875., quando a comitiva deixou Minas Gerais em direção ao sul do então Mato Grosso.
Ele tinha 50 anos, a idade dela não se sabe.
José Antônio já havia estado por aqui antes.
O arraial foi fundado em 21 de junho de 1872, portanto há 151 anos.
Nesta quarta-feira (dia 26), a celebração é dos 127 anos de emancipação político-administrativa de Campo Grande.
“Maria Carolina de Oliveira é uma personagem que merece maior atenção na história da formação de Campo Grande.
A historiografia tradicional concentra-se principalmente em José Antônio Pereira, reconhecido como fundador da cidade, mas os registros indicam que Maria Carolina participou diretamente da trajetória que levou a família ao sul da então Província de Mato Grosso”, afirma Carlos Alexandre de Barros Trubiliano, pesquisador com ênfase em história regional e com várias publicações sobre a cidade.
Atualmente professor associado da Universidade Federal de Rondônia, Carlos Alexandre é graduado em História pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), com mestrado pela UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e doutorado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
O casamento dos mineiros que fariam “nascer” Campo Grande foi em São João del-Rei (MG), histórica cidade fundada em 1704.
Depois, o casal viveu em São Francisco das Chagas do Monte Alegre, atual Monte Alegre de Minas, onde constituiu sua família.
Monte Alegre e Campo Grande são separadas por 892 quilômetros.
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