O que a gastronomia e os festivais revelam sobre o futuro do turismo na Bahia
Antigo destino de veraneio das famílias soteropolitanas de classe média alta, antes da construção da Linha Verde, o município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, ainda busca consolidar-se economicamente.
Com uma população total superior a 45 mil pessoas, em sua composição demográfica há 825 indígenas e 172 quilombolas, segundo dados do IBGE de 2022.
E essa população faz parte da receita para o desenvolvimento.No ano passado, a administração municipal resolveu apostar na criação da Secretaria da Economia Criativa, Cultura e Turismo como possibilidade de progresso.
"Apenas dois municípios baianos têm essa secretaria.
O outro é Itaberaba", celebra André Reis, o primeiro titular da pasta.Economia criativa é um termo que designa um grupo de atividades que geram produtos e serviços através do conhecimento, da inovação e de repertórios simbólicos.
Isso vale para a gastronomia, as artes, moda e tradições culturais, por exemplo.Ao avaliar o que deve nortear as ações da recém-criada secretaria, Reis afirma que o turista contemporâneo não quer apenas passear por um lugar; mas sim vivenciar o território.
"Queremos estimular o visitante a conhecer as histórias, os sabores, os saberes e os modos de vida locais, fazendo das comunidades protagonistas e beneficiárias do turismo.
O turista não deve ser apenas espectador; deve participar da experiência e criar uma conexão verdadeira com o território”, afirma o secretário.Com um vasto território, que ocupa 87% da ilha, um imenso litoral e as heranças culturais indígena e afrobrasileira, o município tem na gastronomia uma de suas apostas e, no mês passado, participou do festival Tempero Bahia, que reuniu 80 restaurantes de seis municípios.Representante local no festival, o restaurante Nkuta Bantu foi inaugurado em fevereiro deste ano e tem como pilar de seu cardápio a valorização de sabores ancestrais.
Ali, pode-se experimentar quiabo grelhado com batata, o salmão grelhado com purê de fruta-pão e molho de maracujá, e o prato da casa, a moqueca de bode.Sobre a experiência de participar de um festival sete meses após abrir o negócio, a chef do restaurante, Thamires das Mercês, relata: "Foi uma experiência única, nervosismo.
Eu me senti muito importante.
Não só eu como as meninas da cozinha".Para a secção Bahia da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), dos 417 municípios baianos pelo menos 130 têm potencial de transformar a gastronomia em um ativo turístico e também fator de desenvolvimento.
Na Chapada Diamantina, por exemplo, há roteiros de vinhos, de queijos e de café.A produtora cultural, gestora e professora universitária Daniele Canedo considera que a música é forte em qualquer município da Bahia.
"Mais de 300 municípios da Bahia festejam São João.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em atarde.com.br — o conteúdo pertence a A Tarde.