EUA miram Palestina Action em iniciativa antiterrorista contra grupos de "extrema esquerda"
WASHINGTON, 26 Ago (Reuters) - Os Estados Unidos designaram o “Palestine Action” na quarta-feira como um grupo terrorista, conforme o governo do presidente Donald Trump busca reprimir grupos de esquerda em seus esforços de combate ao terrorismo.
A medida ocorre depois que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse no mês passado a autoridades de mais de 60 países que Washington buscaria reorientar os esforços internacionais de combate ao terrorismo para o que ele chamou de “terrorismo de extrema esquerda”. A conferência gerou preocupações entre os democratas de que o governo Trump esteja politizando os esforços antiterroristas e desviando recursos de outras ameaças extremistas.
Trump destacou o movimento antifascista “antifa” durante a campanha eleitoral de 2024 e prometeu tomar medidas contra grupos de esquerda que ele acusa de fomentar a violência após o assassinato do ativista conservador e aliado de Trump Charlie Kirk no ano passado.
“Extremistas de extrema esquerda, suas organizações de fachada e seus facilitadores devem estar cientes: vamos empregar todo o peso de nossas ferramentas econômicas”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em comunicado na quarta-feira.
“O terrorismo político não tem lugar em nossa sociedade, e continuaremos a cortar as fontes de financiamento desses grupos até que sejam eliminados.”
O Departamento do Tesouro dos EUA também impôs, nesta quarta-feira, sanções a uma entidade sediada na Itália, acusada de fornecer arquitetura digital, ferramentas e serviços para o antifa e outros grupos de extrema esquerda.
O Reino Unido também já havia proibido anteriormente o Palestine Action como organização terrorista. O Palestine Action vinha visando cada vez mais empresas de defesa ligadas a Israel no Reino Unido, especialmente a maior empresa de defesa de Israel, a Elbit Systems.
Em resposta à medida dos EUA na quarta-feira, Huda Ammori, cofundadora do Palestine Action, disse que as atividades do grupo “sempre tiveram como objetivo salvar vidas ao interromper a máquina de guerra israelense”.
“O fato de Trump agora estar se inspirando na repressão britânica ao movimento pela liberdade palestina expõe o quão perigosa é essa proibição e deve servir de alerta para qualquer pessoa que se preocupe com a liberdade de expressão e as liberdades civis”, afirmou Ammori em comunicado à Reuters.
A Suprema Corte do Reino Unido informou que julgará um recurso contra a decisão de um tribunal que considerou legal a decisão britânica de proibir o grupo ativista Palestine Action como organização terrorista.
(Reportagem de Daphne Psaledakis e Bhargav Acharya; reportagem adicional de Sam Tabahriti, em Londres)
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