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O mercado mudou, e Brasil precisa buscar mais valor para a soja

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O mercado mudou, e Brasil precisa buscar mais valor para a soja

A coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP

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O Brasil mudou de patamar de produção nas últimas duas déacadas. De 2005 a 2025, a produtividade da soja subiu 35% no Brasil e 20% nos Estados Unidos. No milho, a variação foi de 75% e de 23% para os dois países, enquanto no algodão o diferencial foi ainda maior, subindo 65% no mercado brasileiro e apenas 1% no americano.

Mas o mercado está mudando. O tradicional começava na semente, dependia da produtividade, da oferta mundial e da reação de Chicago frente a esses números. A nova etapa de mercado busca também qualidade, diferenciação do produto e prêmio extra.

A evolução brasileira ocorreu devido ao melhoramento genético, biotecnologia, agricultura de precisão, manejo, avanço da segunda safra e gestão, segundo Ismael Menezes, da MD Commodities. O consumo de sementes acompanha esse aumento. Só que em 2005/06, o avanço era devido a novas fronteiras agrícolas e início da transgenia, mas com baixo valor agregado.

Em 2025/26, essa expansão ocorre tanto pela inteligência artificial, edição gênica, agricultura digital, fenotipagem digital, como pelos bioinsumos integrados. Mas o cenário agora traz novos desafios, e o Brasil precisa ficar atento a eles, segundo o analista. A mudança de paradigma é que o foco deve mudar de apenas produzir mais para produzir com valor.

Os Estados Unidos já iniciaram essa mudança, buscando uma soja mais oleica, que tem grande demanda no mercado. Na próxima safra deverão ter pelo menos 5 milhões de hectares semeados com variedades com essa característica. "O Brasil tem de trilhar esse caminho também. Essa soja rende de US$ 28 a US$ 46 a mais por tonelada do que a de hoje", diz Menezes.

O Brasil precisa ficar atento ao que o novo modelo de mercado está exigindo. A soja de alto teor oleico oxida menos, tem um perfil nutricional melhor e atrai o interesse da indústria alimentícia. Segundo o analista, hoje o país vende toneladas, mas amanhã terá de colocar no mercado uma soja mais oleica, com proteína elevada, de baixo carbono, com créditos ambientais e rastreabilidade.

Um dos mercados para essa nova variedade é o SAF (combustível para aviação) que terá uma expansão de mercado nos próximos anos. Ele poderá vir de várias matrizes, mas a soja é a mais competitiva. Durante o 23º congresso de sementes dca Abrates, que se realiza em Foz do Iguaçu, Menezes avaliou também as condições de safra 2026/27. Arroz, trigo e algodão poderão ter alta de preços, mas milho e soja exigem atenção do produtor.

No caso do arroz, a Índia, grande produtora e exportadora, poderá ter queda na safra e provocar redução dos estoques mundiais. A oferta de trigo da Rússia e da Ucrânia também será menor. Os americanos têm grande perda nesta safra, que cai para 41 milhões de toneladas, o mesmo ocorrendo com Argentina e Brasil. Com isso, os estoques mundias caem, o que dá sustentação aos preços.

O algodão, com a alta do petróleo provocada por questões geopolíticas, ganha força.

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