'Pedra da Fome' emerge do rio Danúbio e acende alerta severo na Europa
A "Pedra da Fome" voltou a emergir no rio Danúbio, em Budapeste, expondo a queda extrema das águas e os riscos da seca para a agricultura, a energia e a navegação na Europa.
Uma formação rochosa historicamente associada a períodos de escassez voltou a aparecer no rio Danúbio, em Budapeste, na Hungria. Conhecida como Ínség-szikla, ou "Pedra da Fome", ela normalmente permanece submersa e só se torna visível quando o nível da água cai de maneira acentuada.
O reaparecimento da pedra em agosto de 2026 representa um sinal concreto da grave seca enfrentada pela bacia do Danúbio. A região concentra mais de 80 milhões de habitantes e depende do rio para abastecimento, agricultura, geração de energia, atividades industriais e transporte de passageiros e cargas.
No passado, a exposição da rocha indicava que a baixa do rio poderia prejudicar as colheitas e provocar falta de alimentos. Hoje, embora a Europa tenha uma estrutura muito mais preparada para enfrentar períodos de estiagem, o fenômeno volta a chamar a atenção para os impactos econômicos e ambientais associados à escassez de água.
Seca começou meses antes. Pesquisadores do Instituto Internacional de Análise de Sistemas Aplicados (IIASA) concluíram que o atual cenário começou a se formar ainda na primavera europeia, muito antes de a "Pedra da Fome" emergir.
Entre abril e julho de 2026, grande parte da bacia do Danúbio recebeu volumes de chuva muito inferiores à média calculada para o período de 1990 a 2025. Outros anos também foram marcados por secas intensas, como 2003, 2007 e 2022, mas a estiagem deste ano chama a atenção por ter começado mais cedo.
A falta de precipitação foi acompanhada por temperaturas elevadas. Em junho, várias áreas da bacia tiveram um aumento expressivo no número de dias com temperaturas superiores a 30°C.
O calor intensificou a perda de água do solo e contribuiu para o agravamento da seca. Os dados analisados desde 1990 também revelam uma tendência de aquecimento em toda a região.
Embora fevereiro tenha sido relativamente chuvoso, a umidade do solo começou a diminuir em março. Os pesquisadores acompanharam o processo com o Modelo Comunitário de Água do IIASA, o CWatM.
A análise se concentrou nos primeiros 30 centímetros do solo, uma camada importante para a absorção de água pelas plantas. Com o avanço da primavera e a chegada do verão, o déficit hídrico se espalhou.
Em julho, grande parte da bacia do Danúbio apresentava uma escassez extrema de água no solo. Áustria, República Tcheca e Hungria estavam entre as áreas mais afetadas, com sinais de estresse hídrico e redução da produtividade agrícola. No conjunto da bacia, 2026 aparece como o segundo ano mais seco em relação à umidade do solo desde o início da análise, em 1990, atrás apenas de 2003. Em partes da Áustria, da República Tcheca e da Hungria, porém, a situação de julho foi ainda mais grave do que a observada naquele ano.
Os efeitos da seca demoraram a chegar ao rio. Isso acontece porque a falta de chuva atinge primeiro o solo e a vegetação.
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