Amiga de Lulinha concentrou lobby em órgãos de tecnologia e saúde, diz PF
A investigação da PF (Polícia Federal) sobre tráfico de influência de Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva no governo federal suspeita que a lobista amiga do filho do presidente concentrou seus esforços em duas áreas estratégicas com maior chance de contratos milionários: saúde e tecnologia da informação.
Para o trabalho ser concluído, a PF apura que Roberta usou em cada órgão um elo diferente.
No Ministério da Saúde, seria Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, que tinha empresa com interesse em expandir produtos medicinais à base de cannabis por todo o Brasil com inclusão no SUS (Sistema Único de Saúde).
Mensagens obtidas no celular de Roberta pela PF mostram que reuniões foram feitas na pasta com o então secretário-executivo e que um contrato chegou a ser enviado por ela para o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na época, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
Leia Mais Quaest: Flávio tem 31% em MG; Lula, 30% no 1º turno PE: Raquel evita clima de “já ganhou” e Campos aposta em tempo de TV PF aguarda informações da Polícia Civil para avançar em caso Dark Horse O objetivo seria fechar contratos que chegavam a R$ 630 milhões, suspeitam delegados com base no conteúdo analisado.
Segundo mensagens obtidas pela PF, a lobista estimava receber até R$ 100 milhões em 2024 a partir da facilitação de negócios de empresas com o governo federal.
Esses diálogos foram revelados pela revista Veja e o teor foi confirmado pela CNN.
A PF diz, porém, que até o momento não encontrou o que seria uma contrapartida, com contratos assinados para beneficiar o grupo de Roberta, Lulinha e Marcola.
Na área de tecnologia da informação, para abrir portas no Dataprev, a empresa que aparece no centro da investigação é a 3Structure It LTDA, de Cleber Ribas.
A polícia encontrou mensagens de Luchsinger com Ribas em que tratam de supostas despesas bancadas para Lulinha.
A CNN apurou que uma das linhas de investigação da corporação diz respeito à relação de Lulinha com o empresário.
Fotos de viagens dos dois constam no inquérito.
Em uma das conversas, a lobista relata ao empresário que o primogênito do petista teria cogitado pedir verba diretamente a ele.
“Se cê souber o que que o outro disse, eu fui cortar o negócio né, daí eu falei ‘ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de 100 mil, então assim, não vai dar mais pra ter essas passagens né’, ele falou ‘ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e ro Checon’, eu ri pra caramba, eu falei ué, eu falei ué, boa sorte pra você”, disse Roberta em um diálogo em agosto de 2025.
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