Da Longa Marcha às eleições no Brasil: o que podemos aprender com a Linha de Massas da China?
A Longa Marcha chinesa começou em outubro de 1924 e terminou dois anos depois, em outubro de 1936.
Ao longo desses dois anos, o Exército Vermelho chinês percorreu 12.500 km, cruzando 14 províncias chinesas e ganhando o apoio das massas por onde passava.
Enquanto a China celebra os 90 anos da chegada vitoriosa da Longa Marcha ao norte de Shaanxi, o Brasil se prepara para as eleições mais importantes de sua história.
O presidente Lula, que busca a reeleição, tem crescido nas pesquisas e dominado as redes sociais desde que sua militância se reorganizou e passou a atuar de forma mais disciplinada e organizada.
Os bolsonaristas se desesperam ao ver a militância petista vestindo o verde e amarelo da nossa bandeira e ao constatar a eficiência da militância nas redes sob a coordenação de Janones, porque sabem que a nossa força está justamente na capacidade de organização coletiva.
E a Longa Marcha nos ensina que quando o povo se organiza para lutar por seu futuro, ninguém consegue pará-lo.
Para entender a dimensão do que estamos fazendo, vale a pena resgatar a história e o significado da Longa Marcha, destacando não a marcha e as batalhas, mas o trabalho político de organizar a sociedade e obter engajamento e apoio das massas.
A Linha de Massas e o Exército do Povo O Exército Vermelho era um exército do povo.
Mesmo sob condições inóspitas, a disciplina em relação ao povo era rigorosa e incluía respeito pelos costumes e tradições étnicos, religiosos e regionais da população.
Eles aplicavam a linha de massas, o princípio fundamental da organização política chinesa que estabelece uma via de mão dupla entre a liderança e a população: significa confiar no povo, identificar suas necessidades reais e aprender com suas experiências práticas antes de formular políticas, para depois retornar às massas e explicar essas políticas, transformando-as em ação coletiva.
Na prática, isso se traduz em estar profundamente enraizado na vida das pessoas comuns — não apenas prometendo, mas agindo concretamente (distribuindo terras, abolindo impostos, respeitando as culturas locais) para que o povo reconhecesse naquele movimento a ferramenta para a sua própria libertação.
Trata-se da recusa de uma política de gabinete desconectada da realidade, priorizando o engajamento direto, a disciplina e a reciprocidade.
A linha de massas traz uma lição importante para o Brasil de hoje.
A militância lulista não pode falar apenas para sua bolha.
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