Mansão de Richarlison: Empregada doméstica assina escritura de imóvel ligado a Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Uma empregada doméstica de 61 anos que trabalhou por um ano e meio no escritório do advogado Willer Tomaz, amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro, aparece como dirigente de 14 empresas ligadas ao ex-patrão, incluindo uma mansão de R$ 10 milhões e uma ilha de R$ 17 milhões em Angra dos Reis .
Abordada pela reportagem investigativa da newsletter Noites Húngaras e do site ICL Notícias , assinada por Alice Maciel e Paulo Motoryn, Lídia Maria Figueiredo Mazelli negou conhecer Tomaz, afirmou trabalhar como doméstica e disse ignorar que seu nome figura à frente dos negócios, levantando suspeitas de uso de “laranja” para ocultação de patrimônio.
Empregada doméstica “administra” império milionário Lídia Maria Figueiredo Mazelli trabalhou por um ano e meio no escritório de Willer Tomaz.
Desde setembro de 2020, quando deixou o emprego, seu nome passou a constar como dirigente de 14 empresas ligadas ao advogado.
Entre os bens associados a essas empresas estão uma mansão avaliada em R$ 10 milhões em Angra dos Reis, que foi alvo de disputa judicial com o jogador Richarlison, uma ilha anunciada por R$ 17 milhões na mesma cidade, um hangar de luxo em Brasília e a companhia responsável por processar pagamentos de bets credenciadas pelo governo do Rio de Janeiro.
A realidade de Lídia, porém, é outra.
A reportagem da Noites Húngaras e do ICL Notícias a localizou em um prédio de três andares no Riacho Fundo, região administrativa do Distrito Federal, a cerca de 20 quilômetros do centro do Plano Piloto de Brasília, situado sobre uma loja de móveis em área comercial.
Ao ser abordada, ela disse trabalhar no local como doméstica, negou conhecer Willer Tomaz e afirmou não saber que seu nome aparece à frente das empresas.
Lídia chegou a negar ser Lídia Maria Figueiredo Mazelli.
Mas a identidade foi confirmada pela reportagem de duas formas: uma encomenda recebida por ela no momento da abordagem trazia o nome completo, e a comparação com fotografia de documento de identidade apresentado por ela em disputa judicial pela mansão de Angra dos Reis corroborou a identificação.
A versão do advogado Willer Tomaz Diante da reportagem, Willer Tomaz adotou estratégia que logo se mostrou insustentável.
Em uma primeira nota, negou que a mulher abordada fosse a administradora de suas empresas.
“Se a reportagem falou com alguém que disse isso, falou com outra pessoa”, afirmou, segundo o ICL Notícias e a Noites Húngaras.
Após ser confrontado com as provas reunidas pela reportagem, a assessoria do advogado mudou de versão: reconheceu que a mulher abordada era, de fato, Lídia, e justificou as respostas evasivas dela alegando que ela teria ficado com medo durante a abordagem.
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