França: alunos recusam proposta ‘insuficiente’ em reunião com governo e marchas avançam
Estudantes do ensino médio e universitários voltaram a bloquear escolas e protestar por cidades em toda a França nesta quinta-feira, 8, prometendo continuar as manifestações apesar das promessas do governo de escutar seus pedidos de melhoria na educação.
Após uma reunião com o governo do presidente Emmanuel Macron, associações estudantis consideraram a resposta institucional “insuficiente” e retomaram os atos populares.
Grandes multidões foram às ruas nesta quinta em cidades como Lille, Rennes, Nantes, Lyon, Toulon e Marselha.
Em Paris, os estudantes marcharam juntos do centro da cidade até a Praça da Bastilha.
Ao jornal britânico The Guardian , Eliane , de 16 anos, aluna parisiense, disse que foi à manifestação para “defender escolas de ensino médio em situação ainda pior que a minha” e garantiu que pretende continuar protestando até que haja progresso concreto.
Continua após a publicidade Negociação O ministro da Educação, Édouard Geffray , se reuniu com alunos e professores na cidade de Reims, no leste do país, para conversar sobre as reivindicações dos estudantes.
Após o encontro, ele afirmou que iria “implementar um plano emergencial para garantir que professores ausentes possam ser substituídos no longo prazo”.
A medida anunciada está entre as reclamações dos estudantes.
Além disso, Geffray anunciou que faria uma revisão dos horários de aulas, que ele chamou de “bastante extensos” — na França, a jornada escolar funciona em período integral, geralmente indo das 8h30 às 17h00.
O ministro também afirmou que haveria mudanças no sistema de candidaturas à universidade, chamado Parcoursup, amplamente criticado pelos estudantes.
Continua após a publicidade O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu , também se pronunciou, prometendo uma resposta “concreta, rápida e totalmente financiada” até o final do mês.
Os estudantes, porém, avaliaram que a reação do governo foi insuficiente.
Ryad Rani , presidente do grêmio estudantil de uma escola de ensino médio, afirmou ao Guardian que os manifestantes não ouviram “nenhuma medida concreta, nenhuma resposta às nossas reivindicações”.
Sabrine Kharbach , de outra associação estudantil, disse que o movimento vai persistir até que “10 bilhões de euros sejam disponibilizados”, investimento que estudantes e alguns políticos de esquerda consideram necessário para sanar problemas estruturais e no corpo de funcionários de escolas país afora.
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