Helicóptero que caiu no interior de SP tinha inspeção vencida desde 2019
O helicóptero que caiu em uma área de mata em Iaras, no interior de São Paulo , estava com os certificados cancelados e vencidos.
CA (Certificado de Aeronavegabilidade) estava cancelado. O RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro), da Anac, mostra que o certificado, que comprova que uma aeronave está em condições técnicas para realizar voos, estava cancelado. O CVA (Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade), por sua vez, estava vencido e tinha como data de validade 30 de maio de 2019.
O CVA comprova a condição de aeronavegabilidade. Segundo a Anac, o documento atesta que as ações de manutenção requeridas foram realizadas e que a aeronave permanece em condições de aeronavegabilidade. Para aeronaves submetidas ao RBAC 91, como as de operação privada, é necessário apresentar um CVA nos 12 meses anteriores à operação.
Certificado foi cancelado após mais de dois anos sem CVA válido. A norma da Anac estabelece que o CA é cancelado dois anos depois do vencimento do CVA. A regulamentação também prevê procedimentos específicos para a regularização de uma aeronave que teve o certificado cancelado.
Aeronave não poderia operar normalmente nessas condições. O Código Brasileiro de Aeronáutica determina que uma aeronave só pode voar no espaço aéreo brasileiro, salvo permissão especial, se estiver munida dos respectivos certificados de matrícula e de aeronavegabilidade.
O registro aponta outras três restrições. O RAB informa que o helicóptero, de matrícula PT-YBL, tinha uma ordem judicial que impede a transferência da aeronave, além das anotações de "operador em inventário" e "proprietário falecido". O tipo de operação registrado para o helicóptero era privado.
Aeronave não estava autorizada para serviços aéreos. Segundo os dados consultados no RAB, o helicóptero não tinha autorização para realizar operações de táxi-aéreo, transporte aéreo regular, serviços aéreos especializados ou voos de instrução.
O PT-YBL era um Agusta A109C. O modelo italiano pertence à família A109, desenvolvida pela então Agusta, hoje integrada à Leonardo. O A109 é um helicóptero leve bimotor e foi projetado para diferentes tipos de missão. Segundo a fabricante, a versão original da família tinha capacidade para até oito ocupantes.
O helicóptero caiu na noite de sábado. O PT-YBL caiu em uma região de mata de difícil acesso em Iaras, no interior de São Paulo, na noite de 19 de setembro. Uma das três pessoas que estavam na aeronave conseguiu entrar em contato com a Polícia Militar e informar sobre o acidente.
Buscas começaram após o pedido de socorro. Policiais militares, bombeiros e o helicóptero Águia participaram das buscas durante a noite. As três vítimas foram encontradas com vida na manhã de hoje.
Resgate ocorreu em uma área de difícil acesso. As equipes utilizaram o Águia da PM para retirar os ocupantes do local e encaminhá-los para atendimento médico. As circunstâncias da queda ainda são apuradas.
Cenipa iniciou a investigação.
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