Espécie de gafanhoto foi descrita há mais de dois séculos, mas o macho só foi identificado agora na Amazônia
Uma espécie de gafanhoto conhecida pela ciência desde 1820 acaba de ter uma parte importante de sua história esclarecida: o macho de Proscopia gigantea foi identificado apenas agora, 206 anos depois da descrição da espécie , após uma revisão de exemplares guardados em coleções científicas e a análise de um casal encontrado na Amazônia.
O trabalho foi conduzido pela entomóloga Larissa Queiroz, doutora pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com os pesquisadores José Rafael, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e Raphael Heleodoro, do Museu Nacional (MNRJ). O estudo foi publicado na revista científica Zootaxa . As informações são da Mongabay .
Com aparência semelhante à de pequenos galhos, os gafanhotos da família Proscopiidae ainda são pouco conhecidos, especialmente na Amazônia. A pesquisa ajudou a reorganizar a classificação do grupo e revelou novas espécies.
Desde que Proscopia gigantea foi descrita, em 1820, os pesquisadores conheciam apenas a fêmea da espécie .
O problema surgiu quando exemplares machos passaram a ser analisados. Algumas de suas características foram consideradas semelhantes às de gafanhotos classificados em outro gênero, chamado Carbonellis . Por isso, os machos acabaram sendo identificados como pertencentes a um grupo diferente.
A situação começou a ser esclarecida quando Larissa revisou exemplares preservados em coleções científicas e comparou características que haviam sido estudadas separadamente ao longo dos anos.
A confirmação veio em 2025, depois que pesquisadores do Pará encontraram um casal de Proscopia se reproduzindo na Floresta Nacional de Caxiuanã . A fêmea foi comparada com descrições científicas e imagens do exemplar-tipo da espécie.
A análise mostrou que o macho encontrado junto dela também era Proscopia gigantea .
“De 1820 até 2026, só era conhecida a fêmea. E o macho acabou virando um gênero diferente porque eles acharam que era algo novo”
A revisão não resolveu apenas o mistério envolvendo Proscopia gigantea . Os pesquisadores também reavaliaram a classificação de diversas espécies do grupo.
O estudo mostrou que Carbonellis não apresentava diferenças suficientes para permanecer separado de Proscopia . Com isso, os dois gêneros foram sinonimizados , ou seja, passaram a ser considerados parte do mesmo grupo taxonômico.
A pesquisa também propôs nove novas espécies , criou quatro novos gêneros e promoveu alterações na classificação de espécies que já eram conhecidas pela ciência.
Para a pesquisadora, esse tipo de levantamento é importante porque ainda existem lacunas básicas no conhecimento sobre a diversidade desses insetos. “Foi preciso começar pelo básico: descobrir quais espécies existem, conhecer essa diversidade e dar nome aos animais” , afirmou.
A investigação começou a ganhar forma em 2022, quando Larissa passou a visitar coleções científicas brasileiras.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.bandab.com.br — o conteúdo pertence a Banda B.