Qual o tamanho do “desastre” do partido de Merz na Alemanha? Veja análises
O uso da palavra “desastre” feito pelo chanceler alemão Friedrich Merz após as eleições regionais neste domingo (21) não foi nem exagerado, nem impreciso.
Assim como havia acontecido há duas semanas na Saxônia-Anhalt , o partido União Democrata-Cristã (CDU) sofreu mais duas derrotas: a agremiação de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) repetiu o feito anterior, vencendo em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental, e o partido esquerdista Die Linke foi mais votado em Berlim.
Para especialistas, os alemães perderam de vez a paciência com a coalização de centro CDU/SPD, que passou a ficar espremida entre as posições mais extremistas.
Para o think tank Fundo Marshall Alemão (GMF, na sigla em inglês), os eleitores fizeram uma acusação brutal de seu desgosto com desempenho no governo nacional.
As votações de ontem deixaram claro que o resultado pró-direita da Saxônia-Anhalt não tinha sido uma anomalia, mas sim o início de uma tendência no leste do país, o que se confirmou em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental.
Leia também: Chanceler Merz luta pela sobrevivência após derrota eleitoral recorde na Alemanha “Ao contrário do que às vezes se supõe, o problema para a CDU não é que ela nunca tenha criado raízes no leste — governou a Saxônia continuamente desde a reunificação e liderou a Saxônia-Anhalt por décadas — mas sim que suas raízes ali se desintegraram”, diz artigo do GMF.
Em Berlim, se desenrolou uma história relacionada.
O esquerdista Die Linke quase dobrou sua porcentagem de votos ante a última eleição e saiu vitorioso pela primeira vez.
Com isso, poderá de maneira inédita liderar um governo de coalizão na capital.
A avaliação é que o desempenho do partido foi construído mais pela raiva pública em relação ao custo de vida e à moradia do que por qualquer das propostas ideológicas da agremiação.
Também foi destacado que a esquerda garantiu quase metade dos votos na população mais jovem, entre os de 16 a 34 anos.
Há muita discussão agora sobre o impacto que perda de força política de Friedrich Merz pode representar para o programa de reformas na Alemanha, para o poder do país na União Europeia e para proposta do centro democrático em todo o mundo.
Por que a eleição regional é importante? A Alemanha possui um sistema federal genuinamente colaborativo no qual os estados têm uma posição constitucional forte, inclusive em relação aos assuntos da União Europeia.
Os governos regionais, tanto individualmente quanto coletivamente, exercem seus direitos constitucionais com determinação e um olhar vigilante, diz o think tank European Policy Centre (EPC).
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