André Mendonça vê confiança no STF em risco e defende código de conduta
André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, voltou a defender hoje a criação de um Código de Conduta para integrantes da corte. Para o ministro, a confiança da sociedade no STF está em "risco".
Mendonça disse que Código de Conduta é uma forma de "preservar a relação de confiança" entre população e STF. "Toda vez que há um risco de rompimento dessa relação de confiança, nós precisamos ter padrões de prevenção. O Código de Conduta é um exemplo disso", disse o ministro, ao defender mecanismos internos de "governança" no Supremo, ao participar hoje pela manhã de seminário da corte sobre uso de inteligência artificial no Judiciário
Acho que a governança, ao final e ao cabo, passa por um elemento muito simples, como essência, ao respeito à relação de confiança que o povo e a sociedade deposita nos seus agentes públicos. De modo mais específico, ao respeito à relação de confiança que a sociedade deposita no Judiciário e nos seus magistrados. André Mendonça, ministro do STF
Ministro defendeu ainda que a Corte precisa estar "atenta ao que acontece na sociedade". "Ainda que nós estejamos nas nossas salas, nos nossos gabinetes, nos nossos plenários, nós precisamos estar atentos ao que acontece na sociedade como um todo. Não é decidir com base no que a sociedade quer, mas é não nos calarmos ou não sermos indiferentes, melhor dizendo, àquilo que acontece na sociedade e ao impacto das nossas decisões na sociedade", afirmou.
Código de conduta é ideia do presidente do STF, Edson Fachin. O ministro entregou a relatoria da proposta à ministra Cármen Lúcia, que deve apresentar sugestões com regras éticas e disciplinares a serem seguidas pelos integrantes da corte. O código, no entanto, é alvo de resistências de ministros, como Gilmar Mendes. A proposta de Fachin surgiu na esteira de questionamentos públicos ao STF após a revelação de que os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes mantinham relações com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master
Fala do ministro vem em meio a novo episódio envolvendo Moraes e Vorcaro. Como mostrou o UOL, Mendonça avalia incluir o colega na investigação sobre o escândalo, que está sob relatoria dele no STF.
Polícia Federal identificou novas conversas entre Moraes e Vorcaro. Numa das mensagens, Vorcaro pede ajuda do ministro contra "sacanagem" da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República). Os investigadores já tinham recuperado as conversas do bloco de notas do celular do banqueiro, mas não identificara até então o interlocutor
Mendonça pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República) antes de decidir se inclui Moraes nas investigações. A informação foi revelada pelo portal Metrópoles, e o UOL confirmou com duas pessoas com acesso ao relatório algumas das mensagens escritas por Vorcaro e enviadas ao ministro do Supremo.
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