Padrão climático que impulsiona o Super El Niño está se tornando mais errático à medida que o planeta aquece, alerta novo estudo
O padrão climático que impulsiona o El Niño está se tornando mais intenso à medida que o planeta aquece , e o próprio El Niño está se tornando mais intenso , de acordo com um novo estudo abrangente publicado nesta quinta-feira (27).
A pesquisa lança nova luz sobre o Super El Niño em desenvolvimento , que está ganhando força no Pacífico tropical e que deverá se tornar o evento mais forte desse tipo desde pelo menos 1950 e possivelmente muito antes disso.
O estudo, publicado na revista Science, constatou que os eventos El Niño nos últimos 40 anos foram 36% mais intensos do que os anteriores à Revolução Industrial, quando a humanidade começou a gerar grandes volumes de poluição climática.
Eles também foram cerca de 16% mais intensos do que os eventos El Niño ocorridos durante o século XX.
Leia Mais El Niño virá mais forte; veja impactos e áreas que devem ser mais afetadas Oceanos batem recorde histórico de temperatura e Super El-Niño deve elevar níveis a 'nunca vistos', alerta Copernicus Super El Niño pode ser o mais devastador desde início dos registros A pesquisa se baseia em registros de variabilidade de temperatura passada, obtidos a partir de corais vivos e fósseis antigos nas Ilhas Galápagos.
Essas ilhas estão localizadas em uma seção oriental de suma importância no Pacífico tropical, fundamental para a formação e intensificação do El Niño.
Os corais são as máquinas do tempo do mar, afirmou Julia Cole, autora principal do estudo e professora da Universidade de Michigan.
Os corais das Ilhas Galápagos contêm assinaturas químicas que os cientistas conseguiram usar para rastrear um histórico de 1.000 anos de eventos El Niño • Greg Asner/DivePhoto.org “ Os corais preservam, na composição química de seu esqueleto, um histórico das condições em que cresceram , e nós conseguimos extrair esse histórico medindo essa composição química”, disse ela.
Pesquisadores descobriram que os eventos El Niño das últimas décadas representam um afastamento marcante daqueles dos 1.000 anos anteriores à revolução industrial.
“ Algo está acontecendo agora que é altamente incomum e muito provavelmente devido às mudanças climáticas causadas pelo homem ”, disse o coautor do estudo, Jonathan Overpeck, reitor da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Michigan e coautor do novo estudo.
A nova pesquisa utiliza uma combinação de registros de corais que remontam a 1.000 anos, além de resultados de um conjunto de 12 modelos climáticos de última geração, para descartar a variabilidade climática natural como causa das recentes mudanças do El Niño.
Overpeck e outros autores do estudo afirmaram que os eventos do El Niño, a partir do Super El Niño de 1982-1983, diferem drasticamente em intensidade dos eventos registrados nos corais ao longo de um milênio.
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