Estudo com jovens brasileiros mostra que ferramenta genética ajuda a antecipar gravidade da depressão
“Nosso artigo buscou responder se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce”, explica pesquisador ( imagem: Shutterstock )
Grupo do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental acompanhou mais de 2 mil pessoas entre 6 e 23 anos em São Paulo e Porto Alegre
Grupo do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental acompanhou mais de 2 mil pessoas entre 6 e 23 anos em São Paulo e Porto Alegre
“Nosso artigo buscou responder se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce”, explica pesquisador ( imagem: Shutterstock )
Agência FAPESP * – Um estudo que envolveu mais de 2 mil crianças e jovens de São Paulo e Porto Alegre mostrou que uma ferramenta de mapeamento genético pode ajudar a identificar indivíduos com maior vulnerabilidade à depressão e a sinalizar tendências de gravidade da doença da infância até o início da vida adulta.
No trabalho, cientistas vinculados ao Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental ( CISM ) constataram que indivíduos com maior pontuação nesse escore genético tendem a apresentar um agravamento mais rápido dos sintomas ao longo dos anos. Além disso, quando já diagnosticados com transtorno depressivo maior (TDM), esses jovens demonstram maior suscetibilidade ao que os cientistas chamam de “autolesão não suicida”, que é o ato de causar dano intencional ao próprio corpo – como cortes, queimaduras, arranhões ou pancadas – sem intenção de provocar a morte.
Os resultados, publicados em julho na revista Biological Psychiatry , comprovam a utilidade desse marcador preditivo em populações altamente miscigenadas, como a brasileira. Trata-se de um avanço metodológico importante, visto que a maioria dos estudos sobre o chamado “risco poligênico” se concentra em indivíduos de ancestralidade europeia, o que até então limitava a precisão dessas ferramentas em outros contextos.
“Nosso artigo buscou responder se o risco genético para depressão apenas define um ponto de partida para o surgimento do transtorno ou se também molda a forma como os sintomas evoluem à medida que um jovem cresce”, explica o psiquiatra Marcelo Brañas, que assina o estudo ao lado do pesquisador Lucas Ito , ambos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Procuramos saber também se as ferramentas já existentes funcionam fora de populações de ascendência europeia, uma vez que as populações brasileiras miscigenadas seguem amplamente ausentes da genética psiquiátrica.”
Para chegar a essas conclusões, o grupo avaliou 2.163 jovens, com idades entre 6 e 23 anos, acompanhados em três fases distintas do desenvolvimento. Os voluntários integram a Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (BHRC, na sigla em inglês), um amplo projeto que há mais de 15 anos investiga a origem genética e ambiental dos transtornos psiquiátricos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.