No topo dos tepuis: expedição científica inicia coletas na Serra do Aracá
Com acampamentos montados a 850 e 1.260 metros de altitude, pesquisadores saem em busca de plantas e animais únicos desses ecossistemas remotos, no norte da Amazônia
Com acampamentos montados a 850 e 1.260 metros de altitude, pesquisadores saem em busca de plantas e animais únicos desses ecossistemas remotos, no norte da Amazônia
O breve momento de contemplação foi interrompido pelo aviso de um oficial de que deveriam se dirigir a uma área de decolagem no próprio quartel, onde um helicóptero Black Hawk estava a postos para transportá-los justamente para o cenário que viam na imagem capturada em 2019 pelas lentes do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado (1944-2025), para a célebre série Amazônia .
Cerca de uma hora depois da decolagem, a aeronave começou a sobrevoar o imponente platô de um tepui (montanha de topo plano), a 1.260 metros de altitude, onde foi instalado o acampamento principal da expedição. Ao desembarcar, os cientistas puderam ver a imagem real e ter o primeiro contato direto com uma paisagem de campos rupestres, semelhante aos encontrados na Chapada Diamantina, na Bahia, e na Serra do Espinhaço, que se estende por Minas Gerais e Bahia.
O terreno de arenito, caracterizado por afloramentos rochosos e solos alagados, com vegetação baixa e esparsa, não guarda nenhuma semelhança com as paisagens de floresta densa e rios volumosos tipicamente associadas ao bioma amazônico. A viagem de helicóptero até o ponto do acampamento, por exemplo, começou sobrevoando as ilhas fluviais que contornam a região de Barcelos, seguiu por campinaranas (tipo de vegetação da Amazônia que cresce sobre solos de areia branca) cercados pelas águas escuras do rio Negro, depois por um manto verde, denso e contínuo de floresta que se estendia por centenas de quilômetros em todas as direções, até alcançar os paredões rochosos de quartzito da Serra do Aracá, que se erguem abruptamente da paisagem plana da floresta ao redor.
“É uma paisagem amazônica que não tem nada a ver com as florestas e que grande parte das pessoas desconhece”, diz à Agência FAPESP Miguel Trefaut Rodrigues , professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e líder da expedição, apontando para o seu entorno, no topo do tepui. A equipe, formada por 16 pesquisadores, pretende passar três semanas em campo, coletando a maior diversidade possível de espécies de fauna e flora da região, além de amostras de água e solo. A expedição é financiada pela FAPESP e realizada com apoio do Exército Brasileiro, responsável pelas operações logísticas e de segurança.
A equipe é composta por cientistas de diversas instituições, incluindo USP, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Jardim Botânico do Missouri (Estados Unidos), Universidade de Toulouse (França), Universidade Autônoma de Madri (Espanha) e Museu de História Natural de Oslo (Noruega) – todos com formação no Brasil e larga experiência em trabalhos de campo na Amazônia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em agencia.fapesp.br — o conteúdo pertence a Agência FAPESP.