Povos de Terreiro se unem na defesa da democracia
Os Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana ampliam sua presença no debate público brasileiro e reafirmam seu papel como sujeitos políticos na construção de uma sociedade democrática, plural e livre do racismo religioso.
Esse movimento ganha força nesta quinta-feira (27), com a realização do encontro “Protagonismo Político dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e Matriz Africana na Construção de uma Sociedade Democrática”.
Promovida pelo Setorial Inter-Religioso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em parceria com a Escola Nacional de Formação e a iniciativa Fé e Democracia, a atividade será realizada das 14h às 18h, em formato híbrido, com participação presencial na Sede Nacional do PT e transmissão pela plataforma Zoom.
O encontro reunirá lideranças religiosas, sacerdotes, sacerdotisas, representantes de terreiros, militantes e integrantes de comunidades tradicionais para discutir os desafios e as possibilidades de ampliar a participação política dos povos de terreiro.
Entre as presenças confirmadas está Tata Darlan dy Oxossi, liderança de matriz africana reconhecida pela atuação em defesa dos direitos dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro.
Mais do que um espaço de diálogo entre diferentes tradições religiosas, a iniciativa parte de uma compreensão central: as comunidades de terreiro são também sujeitos sociais e políticos, com direitos, demandas e propostas que precisam estar presentes na formulação das políticas públicas.
Liberdade religiosa, proteção dos territórios tradicionais, preservação da cultura e da ancestralidade, combate ao racismo religioso e garantia de direitos humanos estão entre as pautas que atravessam essa agenda.
Ao ocupar os espaços de decisão, essas comunidades reivindicam não apenas o direito de serem ouvidas, mas também de participar ativamente das decisões que afetam seus modos de vida, seus territórios e sua memória.
Ancestralidade como força política Historicamente responsáveis pela preservação de conhecimentos, tradições, práticas culturais e formas de organização comunitária, os povos de terreiro enfrentam, ao mesmo tempo, diferentes formas de violência e discriminação.
O racismo religioso continua sendo um dos principais obstáculos à plena liberdade de crença e à cidadania dessas comunidades.
Nesse cenário, transformar ancestralidade em organização política significa fortalecer a capacidade de resistência e de construção coletiva.
A mobilização proposta pelo Núcleo de Axé Nacional do Setorial Inter-Religioso do PT busca justamente aproximar diferentes comunidades e tradições, reconhecendo suas especificidades e construindo uma agenda comum em defesa da dignidade, da liberdade religiosa e da democracia.
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