Márcio Chaer, o jornalista que continha multidões
Em uma das primeiras conversas que tive com Márcio Chaer, ele vaticinou: “Pode anotar: a ‘lava jato’ vai ser anulada.
A Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário ficam encantados com a possibilidade de prender e condenar e, nisso, acabam atropelando a lei.
Depois reclamam que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça anulam os casos.
Então tome cuidado ao noticiar a investigação”.
Reprodução Márcio Chaer (1955-2026) Isso foi em novembro de 2014, pouco depois de eu começar a trabalhar na ConJur .
A “lava jato” estava ganhando tração, com os primeiros acordos de colaboração premiada.
A investigação havia sido frequentemente explorada por opositores da presidente Dilma Roussef (PT) na eleição de outubro e quase custou sua reeleição, conquistada contra Aécio Neves (PSDB) no pleito mais acirrado após a redemocratização (que só seria superado pela disputa de 2022).
Márcio sempre desconfiou das grandes “operações” — termo que ele odiava — e de como a imprensa se deixava levar sem questionar os seus métodos.
Na “lava jato”, conduziu a ConJur quase solitariamente no questionamento às suas práticas abusivas.
A maré finalmente começou a virar com a revelação das conversas da “vaza jato”, mas para quem acompanhava o site de Márcio, não era uma grande novidade.
A defesa do direito de defesa é o seu maior legado.
É um tema espinhoso, de difícil convencimento.
O punitivismo é sedutor e atrai direita e esquerda — ainda mais em um país com alta criminalidade, tanto violenta quanto relacionada aos cofres públicos.
As garantias de acusados de crimes são um marco civilizatório e é preciso sustentá-las independentemente dos envolvidos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.