Como funciona o sistema de defesa Patriot que a Grécia levou para Creta
A Grécia transferiu uma bateria de mísseis Patriot para a ilha de Creta após ameaças iranianas contra bases americanas na Europa. Entenda como funciona esse sistema de defesa antiaérea.
Bateria de mísseis Patriot saiu da ilha de Cárpatos e começou a ser deslocada para Creta. A imprensa grega informou que o comboio deixou o porto de Cárpatos em uma barcaça, com os lançadores montados sobre caminhões.
Destino é o complexo militar de Suda, em Creta, que abriga uma grande base dos EUA e da Otan no Mediterrâneo oriental. As baterias devem reforçar a proteção da área diante do cenário de tensão citado pela imprensa local.
Imprensa grega relacionou a transferência a ameaças do Irã contra alvos militares americanos na Europa. A avaliação divulgada é que Teerã cogitaria ataques se o presidente Donald Trump intensificar o conflito no Estreito de Ormuz.
Ministério da Defesa da Grécia não comentou o deslocamento. A informação foi publicada como relato da imprensa grega, sem confirmação oficial do governo.
Patriot é um sistema americano projetado para neutralizar diferentes ameaças aéreas. Na versão atual, ele pode atuar contra mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro, drones maiores e aeronaves, além de outras ameaças não detalhadas pela fabricante Raytheon.
Estrutura reúne radar, unidades de comando e controle e mísseis interceptadores. O Exército dos Estados Unidos começou a implementar o Patriot nos anos 80, e o sistema passou por diversas atualizações ao longo das décadas.
Alcance e capacidade de engajamento variam conforme a versão do sistema. As Forças Armadas da Alemanha informam que ele cobre cerca de 68 km, enquanto os interceptadores podem atingir alvos a até 160 km e a mais de dois quilômetros de altitude, dependendo do modelo.
Radar consegue acompanhar dezenas de objetos no ar e atacar mais de um alvo ao mesmo tempo. De acordo com as Forças Armadas da Alemanha, o radar pode rastrear até 50 alvos e atacar cinco simultaneamente.
Operação exige uma equipe grande e o custo é um dos principais desafios do sistema. Uma unidade pode precisar de cerca de 90 soldados para operar, e um teste de interceptação pode custar até US$ 100 milhões, conforme estimativa citada em estudos do setor.
Patriot foi usado pela primeira vez em combate em 1991, na Guerra do Golfo. O sistema atuou contra mísseis Scud iraquianos, mas análises independentes depois questionaram os índices de eficácia divulgados à época.
Falhas também foram registradas em situações reais, incluindo um ataque que matou militares dos EUA na Arábia Saudita. No episódio citado, um míssil Scud atingiu alojamentos e os Patriots não conseguiram interceptar o projétil.
Modernizações posteriores melhoraram o desempenho, mas nem sempre um único míssil interceptador basta. Testes e operações mais recentes indicaram intercepções bem-sucedidas, embora, em alguns cenários, vários mísseis sejam necessários para deter uma ameaça.
Sistema pode ter dificuldade com ameaças menores e que voam mais baixo. Dispositivos como mini drones, que operam próximos ao solo, tendem a ser mais difíceis de rastrear e interceptar.
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