O que ficou da Cúpula do Brics na Índia, sem presença a de Lula
Mais uma Cúpula do Brics terminou, desta vez na Índia e sem a presença do presidente Lula, que esteve nas três anteriores realizadas em seu terceiro mandato.
A decisão de não ir se deveu exclusivamente ao cenário eleitoral brasileiro, confirmaram fontes oficiais à coluna. Lula tinha de escolher entre Brics e a Assembleia Geral das Nações Unidas, que será realizada na semana que vem, em Nova York. Está claro que o discurso do presidente na ONU representa uma melhor oportunidade de repercussão no mundo e, também, dentro do Brasil.
O Brics foi sacrificado pela campanha presidencial, que vive momentos complicados para o Palácio do Planalto. Mas o encontro, que contou com a participação de chefes de Estado de peso, como os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, foi acompanhando de perto pelo governo brasileiro, representado em Nova Délhi pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O que o Brics deixou? Exatamente o que se esperava que deixasse, lembrando que o grupo não é uma aliança militar, está composto por países diversos do ponto de vista político e, para complicar ainda mais a situação, alguns deles vivem, desde os primeiros dias de março, um conflito bélico que pode voltar a escalar a qualquer momento.
Na avaliação de diplomatas brasileiros, a Cúpula do Brics entregou o que podia entregar. Essencialmente, a defesa do multilateralismo e da ordem internacional como um todo. O recado tem como destino, principalmente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O ponto 22 da declaração final da cúpula é, nesse aspecto, um dos mais importantes. Ele diz que "condenamos a imposição de medidas coercitivas unilaterais que sejam contrárias ao direito internacional e reiteramos que tais medidas, inclusive sob a forma de sanções econômicas unilaterais e sanções secundárias, têm implicações negativas de longo alcance para os direitos humanos —incluindo os direitos ao desenvolvimento, à saúde e à segurança alimentar— da população em geral dos Estados visados, afetando desproporcionalmente os pobres e as pessoas em situações de vulnerabilidade, aprofundando a exclusão digital e exacerbando os desafios ambientais. Apelamos à eliminação de tais medidas ilegais, que minam o direito internacional e os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas. Reafirmamos nossa oposição a medidas coercitivas unilaterais que sejam contrárias ao direito internacional e à Carta das Nações Unidas, incluindo sanções não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU".
Encontrar consensos entre os países do Brics está cada vez mais difícil, e talvez uma das notícias mais importantes para o grupo seja continuar existindo.
Com a ampliação do Brics, o grupo tem hoje 11 membros, entre eles o Irã e os Emirados Árabes Unidos, cujas mais altas autoridades tiveram um encontro bilateral na Índia. A tensão após os ataques iranianos contra países do Golfo continua, mas houve um primeiro diálogo no âmbito do Brics.
O ponto 28 da declaração final fala sobre o conflito.
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