Trump ameaça JBS e rivais em plano para reduzir concentração no mercado de carne dos EUA
Trump afirmou que autorizou a elaboração de documentos legais para enfrentar o que chamou de um “monopólio nefasto” formado pelas grandes processadoras de alimentos.
O presidente não detalhou o conteúdo nem o cronograma da medida, mas disse que pretende dar aos produtores mais alternativas para abater e processar seus animais sem depender das grandes companhias.
Quatro empresas — JBS USA, Tyson Foods, Cargill e National Beef Packing — respondem por cerca de 85% do processamento de carne bovina do país, segundo dados citados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
A concentração não significa que as quatro empresas controlem toda a cadeia da carne americana nem que exista, até o momento, uma conclusão oficial de que formem um cartel.
O ponto de preocupação do governo é o elevado poder de mercado dos grandes frigoríficos na compra do gado dos pecuaristas e no processamento dos animais.
A presença da JBS tornou a discussão particularmente relevante para o Brasil. A empresa brasileira é uma das maiores processadoras de carne bovina dos Estados Unidos e opera por meio da JBS USA.
A companhia mantém nove unidades de processamento de carne bovina no país, com capacidade para processar cerca de 28 mil cabeças de gado por dia. As operações americanas fazem parte de uma plataforma global que, segundo a própria empresa, tem capacidade agregada para processar mais de 78 mil bovinos diariamente em diferentes países.
A JBS, portanto, não é uma empresa estrangeira que simplesmente exporta carne para os Estados Unidos. Ela possui uma extensa estrutura produtiva instalada no país e compra gado de pecuaristas americanos para abastecer o mercado local.
A companhia também passou por uma reorganização societária em 2025. A JBS N.V. tornou-se a holding do grupo, com ações negociadas na Bolsa de Nova York e BDRs na B3. A estrutura preservou o controle indireto da J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
O movimento ocorre em um momento particularmente difícil para o mercado americano de carne bovina. O rebanho dos Estados Unidos caiu para cerca de 86,2 milhões de cabeças, o menor nível em 75 anos. A combinação de seca, incêndios, redução do rebanho e restrições à entrada de gado do México reduziu a oferta de animais para os frigoríficos.
A escassez elevou o preço do gado e, consequentemente, o custo da carne para os consumidores. O preço da carne moída chegou a cerca de US$ 6,89 por libra em julho, segundo dados do governo americano — equivalente a aproximadamente US$ 15,19 por quilo. Em cinco anos, o preço da carne moída subiu 57%, enquanto cortes de bife tiveram alta de 35%, segundo a Associated Press.
A pressão sobre os preços também tem um componente estrutural: reconstruir o rebanho americano é um processo demorado. Mesmo com sinais iniciais de recuperação do número de animais, o governo estima que a produção de carne bovina cairá cerca de 4% em 2026.
A concentração da indústria de processamento de carne bovina americana não é recente.
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