Flamengo às vezes precisa jogar feio, diz Raisa Simplicio após tropeço
Flamengo deixa dois pontos pelo caminho ao ceder empate após vantagem de dois gols
Depois de abrir expressiva vantagem no placar ainda no primeiro tempo, o Flamengo cedeu o empate diante do Santos e transformou uma partida que parecia controlada em um jogo de muito sofrimento. O resultado deixou em evidência um padrão que vem acompanhando a equipe ao longo da temporada: a dificuldade em manter a tranquilidade quando o jogo já parecia resolvido.
A análise do desempenho mereceu destaque no programa Fim de Papo, do Canal UOL, onde comentaristas especializados em futebol discutiram os erros cometidos e os pontos que precisam melhorar para as rodadas decisivas que se aproximam.
A avaliação de Raisa Simplício
A comentarista Raisa Simplício trouxe uma reflexão particularmente interessante sobre o momento do Flamengo. Segundo ela, há situações em que a equipe necessita abandonar a busca constante pelo jogo ofensivo elaborado e recorrer a soluções mais diretas e pragmáticas para garantir o resultado positivo. Ela argumentou que nem sempre o chamado futebol bonito serve aos interesses do time, especialmente quando a vantagem já foi conquistada e o que se espera é consolidação.
Para ilustrar seu ponto de vista, Simplício apontou o lance que resultou no pênalti como um claro exemplo da abordagem inadequada adotada pelo Flamengo naquele contexto de jogo. O goleiro Rossi recebeu a bola em uma situação que permitia várias possibilidades de jogo, mas optou por uma saída curta que colocou a posse em risco. Quando tocou para Jorginho, desencadeou uma sequência de eventos que terminou prejudicial para a defesa flamenguista e levou à punição da arbitragem.
A analista reforçou que depois daquele episódio, a equipe sofreu uma queda brusca de performance, entrando em colapso no aspecto mental e desaparecendo da partida em muitos momentos. Simplício ressaltou ainda que o Flamengo contou com certa dose de sorte ao não sofrer uma virada completa diante de um Santos que se reorganizou ofensivamente após aproveitar as oportunidades geradas pelos erros cometidos.
O padrão repetitivo na temporada
Raisa Simplício também chamou atenção para um comportamento que se repete com frequência ao longo da temporada. O Flamengo demonstra uma tendência de transformar jogos que deveriam ser objetivos e diretos em disputas tensas e apertadas. Essa dificuldade em manter a concentração e a disciplina tática quando já existe vantagem no placar preocupa especialmente em vista do período decisivo que se aproxima no calendário.
A comentarista citou diversas ocasiões em que o time abriu placar favorável e ainda assim encerrou o jogo sob pressão, precisando de lances de sorte ou desempenhos de seu goleiro para evitar prejuízos maiores. Esse comportamento não apenas compromete os resultados, mas também desgasta mental e emocionalmente uma equipe que necessita estar em seu melhor nos momentos cruciais.
A perspectiva de Renan Teixeira
Renan Teixeira, ex-jogador e comentarista, concordou que a cobrança sobre o desempenho existe e é legítima diante do contexto. No entanto, ofereceu uma perspectiva adicional sobre as causas dos problemas. Enquanto muitos poderiam atribuir os lapsos a nervosismo ou pressão exagerada, Teixeira acredita que a questão passa mais por uma leitura de superioridade do que propriamente por instabilidade emocional.
Segundo ele, o Flamengo dispõe de um elenco repleto de jogadores muito experientes, acostumados a lidar com pressões de alto nível em grandes competições. Portanto, falhas não deveriam resultar apenas de ansiedade, mas sim de uma atitude de soberba que leva o time a subestimar adversários ou a perder o foco tático.
A situação vivenciada naquela partida específica ilustra bem essa análise. Fazer dois gols na condição de visitante e permitir que o adversário chegue ao empate causa dor ainda maior nos torcedores e intensifica a cobrança sobre o grupo. Essa dinâmica aumenta o desconforto coletivo e amplifica as críticas aos responsáveis.
Críticas ao goleiro Rossi e suas escolhas
Uma característica do goleiro Rossi também mereceu atenção dos comentaristas. Teixeira apontou que, na execução das saídas de bola curtas, o goleiro raramente faz a escolha mais simples e segura para eliminar o risco. Em vez disso, frequentemente opta por toques que elevam o grau de dificuldade da jogada, tornando-a potencialmente perigosa.
Essa predisposição se conecta diretamente à crítica central dos analistas: em um jogo que estava sob controle, o Flamengo escolheu sistematicamente o caminho do risco e abriu espaços para a reação do time santista. Um time que estava à frente do marcador poderia ter adotado postura defensiva mais conservadora.
As mudanças feitas pelo treinador
O debate também tocou na condução das substituições realizadas após a expulsão de Jorginho. Renan Teixeira questionou a opção de manter mudanças focadas em aspectos ofensivos do jogo num momento em que o Flamengo já havia sofrido o primeiro gol da reação adversária e tinha inferioridade numérica em campo.
Raisa Simplício se aprofundou nessa crítica, afirmando que a escolha aumentou consideravelmente a exposição defensiva do time numa circunstância que já era desfavorável. Ela argumentou que teria sido mais apropriado optar por jogadores que oferecessem maior controle de bola e segurança na posse, permitindo ao Flamengo administrar melhor a desvantagem numérica sem correr riscos excessivos.
O lance do pênalti e suas responsabilidades
Após essas mudanças, Luiz Araújo cometeu uma falta que resultou em pênalti para o Santos. Raisa Simplício reconheceu que o lance teve mérito na condução do técnico santista e seu trabalho tático, mas também identificou uma bobeira cometida pelo Flamengo que facilitou a ação do adversário.
Ela pontuou que até aquele momento a análise estava centrada em questões arbitrais e em erros mais superficiais da equipe flamenguista, mas manteve a crítica ao treinador pela escolha das substituições que colocaram o time em situação vulnerável.
Contexto da situação
O Flamengo, como um dos maiores clubes do país, sempre enfrenta pressão considerável por resultados. A temporada atual tem se mostrado repleta de momentos em que o time demonstra qualidade técnica indiscutível, mas falha nos aspectos de gestão emocional e decisões táticas nos momentos decisivos. Esses padrões de comportamento afetam não apenas um jogo isolado, mas acumulam efeitos ao longo da campanha, comprometendo pontos fundamentais para objetivos maiores.
O que acompanhar
Os próximos compromissos do Flamengo serão cruciais para determinar se a equipe conseguirá corrigir esses vícios de comportamento. Será necessário observar se o treinador implementará mudanças táticas para evitar situações de risco desnecessário quando o time estiver em vantagem. Também merece atenção a consistência do goleiro nas suas decisões durante as saídas curtas, assim como as escolhas de substituição em momentos críticos das partidas. Por fim, a reação mental da equipe nos próximos desafios indicará se houve aprendizado com esses tropeços ou se o padrão se repetirá.
Principais pontos:
• Flamengo empatou após abrir dois gols de vantagem contra Santos, deixando dois pontos pelo caminho na disputa.
• Raisa Simplício criticou a escolha do goleiro Rossi em buscar saídas arriscadas quando o jogo permitia maior pragmatismo.
• Renan Teixeira avaliou que os problemas resultam de soberba da equipe mais do que de nervosismo ou falta de experiência.
• A mudança feita após expulsão de Jorginho foi questionada por manter opções ofensivas numa situação que exigia maior segurança defensiva.
Matéria produzida pela Redação 5News com apoio de inteligência artificial a partir da apuração de UOL Esporte — os fatos do episódio vêm da matéria original; o contexto usa informação pública consolidada. Veja nossa política editorial. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.