Todos são iguais perante a lei, mas alguns podem ser piores
O Supremo Tribunal Federal escreverá um capítulo triste de sua história nesta terça-feira . Pode ter dois finais. Nenhum deles é feliz. Na melhor das hipóteses, Alexandre de Moraes passará de juiz implacável a investigado precário. Na pior das hipóteses, as suspeitas sobre o relacionamento potencialmente criminoso de Moraes com Daniel Vorcaro serão ignoradas.
A primeira alternativa seria melhor porque abriria a perspectiva de que outras togas sob suspeição fossem investigadas. A segunda possibilidade é pior porque representaria o suicídio do Supremo. Em fevereiro, o tribunal cavou a própria cova ao ignorar as 35 milhões de razões que a PF apresentou para a abertura de um inquérito contra Dias Toffoli. Blindando Moraes, o Supremo passaria a jogar terra em cima de si mesmo.
Não são apenas os erros que matam uma instituição, mas o modo como reagem seus membros depois de cometê-los. Certas togas aprendem tanto com seus erros que flertam com a tentação de cometer mais alguns. Todos são iguais perante a lei. Mas são piores os que, tendo a obrigação de proteger a Constituição, afrontam os princípios constitucionais.
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