Queda da fila do INSS acelera nos últimos meses; benefícios negados sobem e chegam a quase 1 milhão em junho
Mutirão do INSS em Rio Branco Lucas Thadeu/Rede Amazônica A chamada fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando sistematicamente neste ano após determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerá-la ainda em 2026, mas os indeferimentos de pedidos também avançam com rapidez.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho – o menor patamar em 21 meses.
No ano, a redução da fila foi de 74%. ➡️O número de benefícios negados também mostra forte elevação.
Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão. ➡️No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o antigo auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente.
"É importante ressaltar que os indeferimentos fazem parte do processo de análise de requerimentos de benefícios.
O indeferimento é a medida correta quando não são cumpridos os requisitos necessários ou o segurado não atendeu às exigências – como prazos ou apresentação de documentos", informou o Ministério da Previdência.
Matemática que 'não fecha' Para Jane Berwanger, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o declínio da fila acompanhada de alta dos indeferimentos é uma "matemática que não fecha".
Na avaliação da especialista, a estratégia pode apenas transferir a demanda para outra etapa do processo.
"É adiar o problema porque esses processos, em grande parte, vão voltar", afirma Jane, adicionando que os pedidos negados podem resultar em novos requerimentos, recursos administrativos ou ações judiciais, contribuindo para o aumento da judicialização de questões previdenciárias.
"Tanto se fala do alto índice de judicialização no Brasil, principalmente em matéria previdenciária, e aqui nós temos um exemplo disso.
Muitas pessoas que, se o processo fosse melhor analisado, poderiam ter o seu caso resolvido, vão ter que ir para a Justiça para ter o direito", diz.
A diretora também apontou dificuldades enfrentadas pelos segurados para comprovar o direito ao benefício, especialmente nos casos que dependem da demonstração de incapacidade para o trabalho.
Entre os fatores que podem contribuir para os indeferimentos, ela cita a falta de documentação médica e problemas na análise realizada durante a perícia.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em g1.globo.com — o conteúdo pertence a G1 Economia.