Uma estrela-do-mar do fundo do oceano não espera comida cair e consegue perseguir pequenos animais usando milhares de pés hidráulicos como pernas
Centenas ou milhares de apêndices movidos por um sistema hidráulico permitem que estrelas-do-mar procurem, alcancem e capturem presas
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No fundo do oceano, uma estrela-do-mar pode parecer praticamente imóvel enquanto a vida passa ao redor. Essa impressão engana. Centenas ou até milhares de pés tubulares transformam algumas estrelas-do-mar em predadores ativos , capazes de percorrer o substrato, detectar sinais químicos de alimento e alcançar pequenos animais usando um sistema hidráulico distribuído por toda a parte inferior dos braços.
Na face inferior dos braços existem fileiras de pequenos apêndices chamados podia. Cada um está conectado a uma ampola interna e ao sistema vascular aquífero, uma rede de canais preenchidos por fluido que permite controlar a extensão e a retração desses apêndices.
Quando a ampola se contrai, o fluido ajuda a estender o pé. Depois do contato com o substrato, músculos encurtam a estrutura e contribuem para puxar o animal. Repetido por centenas de unidades, esse mecanismo produz uma locomoção coordenada mesmo sem pernas articuladas como as de um crustáceo.
Embora matéria orgânica que afunda das camadas superiores seja importante nos ecossistemas profundos, estrelas-do-mar não são obrigatoriamente consumidoras passivas desse material. Muitas espécies de Asteroidea são predadoras e podem procurar moluscos, crustáceos, outros equinodermos e diferentes invertebrados no fundo marinho.
O deslocamento permite transformar sinais deixados pelas presas em movimento direcionado. Em espécies estudadas experimentalmente, estímulos químicos associados a alimento conseguem provocar aceleração e até uma mudança de marcha, mostrando que a aparência lenta não significa ausência de comportamento de perseguição.
Este vídeo do Deep Look mostra em detalhes estrelas-do-mar acelerando com centenas de pés movidos por seu sistema hidráulico.
Estrelas-do-mar não possuem um cérebro centralizado comparável ao dos vertebrados. Seu sistema nervoso inclui um anel nervoso ao redor da região central e nervos radiais que percorrem os braços. Grande parte da coordenação surge de interações locais entre os próprios podia.
Experimentos de biomecânica indicam que cada unidade responde ao ambiente e às forças produzidas pelas unidades vizinhas. Quando muitos pés tubulares começam a agir de maneira compatível, o corpo inteiro segue a mesma direção. Em algumas espécies, essa coordenação chega a produzir um movimento semelhante a pequenos saltos ou um “galope”.
Os podia não servem apenas para empurrar o corpo. Eles também participam da percepção de substâncias químicas, contato e outras informações ambientais. Estruturas mais delicadas próximas às pontas dos braços podem desempenhar papel particularmente importante na exploração do espaço ao redor.
A reportagem científica do KQED Deep Look explica como essas unidades funcionam simultaneamente como sensores e atuadores. Isso permite que o animal procure alimento sem depender de um único centro cerebral controlando individualmente centenas de movimentos.
O número varia bastante entre espécies, tamanho e número de braços.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.