ARTIGO | O socialismo sabe sambar?
Há uma inversão importante no texto de Juarez Guimarães, Sete teses sobre o samba e o socialismo democrático . Em vez de perguntar como levar o socialismo ao povo, ele pergunta, em alguma medida, o que o socialismo precisa aprender com uma das mais profundas tradições culturais produzidas pelo povo brasileiro.
Juarez identifica entre samba e socialismo democrático afinidades relacionadas à liberdade, à vida comunitária, à resistência à mercantilização, à memória, à pluralidade e à esperança. Sua proposição central é que um socialismo democrático enraizado no Brasil precisa saber “encontrar o samba”.
Durante muito tempo, parte da tradição política e acadêmica brasileira se aproximou das culturas populares carregando uma espécie de privilégio pedagógico: possuía a teoria, enquanto ao território caberia fornecer experiência, base social, mobilização e identidade. A política pensava; a sociedade vivia. O partido formulava; o movimento executava. A academia interpretava; a cultura era interpretada.
Dizer que o socialismo tem algo a aprender com o samba perturba essa hierarquia.
Mas justamente por isso a proposição de Juarez merece ser levada um passo adiante.
O que significa, concretamente, aprender com uma cultura que não se criou?
Juarez reconhece que a incorporação do samba à construção da identidade nacional, durante a era Vargas, comportou instrumentalização, embora ressalte que também houve reconhecimento. É uma passagem pequena do artigo, mas talvez seja uma das mais férteis para o debate.
Porque reconhecimento e instrumentalização nem sempre acontecem em momentos separados.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.