ONU aponta crime de guerra dos EUA em ataque a escola no Irã na guerra
Especialistas nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmam ter encontrado indícios razoáveis de crimes de guerra nos ataques dos EUA no Irã em fevereiro, que deixaram ao menos 178 civis mortos, informou o The Independent.
A missão independente de apuração da ONU analisou dois bombardeios realizados em 28 de fevereiro. O relatório afirma que os EUA lançaram ataques indiscriminados que causaram mortes, ferimentos em civis ou danos a bens civis.
Um dos ataques atingiu a Escola Primária Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, no sul do Irã. Autoridades iranianas disseram que mais de 150 pessoas morreram, incluindo cerca de 120 estudantes, enquanto a imprensa estatal registrou 168 mortos.
Forças americanas teriam recebido informação de inteligência sobre a presença de um comandante militar iraniano na escola. Os investigadores afirmam que os planejadores não confirmaram novamente a informação antes de disparar os mísseis.
O relatório diz que os EUA assumiram um risco substancial de atingir um alvo civil. "Os EUA direcionaram os ataques ao prédio da escola", apesar desse risco, afirma a missão.
O segundo caso citado ocorreu em Lamerd, onde mísseis espalharam projéteis de tungstênio sobre um complexo esportivo e uma área residencial. O ataque danificou casas e uma escola, além de matar ou ferir 22 civis, de acordo com o relatório.
O Comando Central dos EUA negou ter realizado ataques em Lamerd naquela data. Donald Trump afirmou em junho que "ninguém" atacou deliberadamente uma escola de meninas no Irã e mencionou uma investigação sobre o caso. Autoridades americanas afirmaram anteriormente que as operações militares cumprem as leis dos conflitos armados.
A missão também concluiu que autoridades iranianas cometeram crimes contra a humanidade durante a repressão a protestos iniciados no fim de dezembro. O painel cita mortes ilegais, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e restrições à liberdade de expressão.
Os especialistas afirmam não conseguir confirmar o número total de vítimas da repressão. Eles avaliam, porém, que o total supera os dados oficiais de 3.038 mortos e 25 mil feridos.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU criou a missão de apuração em 2022. O grupo é presidido pela jurista bengalesa Sara Hossain e apresentará formalmente o relatório em Genebra.
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