Mercado vê possibilidade de queda de juros acelerada com compromisso fiscal
A possibilidade de um ajuste fiscal a partir de 2027, combinada à desaceleração da economia brasileira e à melhora recente do câmbio, pode abrir espaço para uma queda mais acelerada da taxa básica de juros do país, a Selic.
Apesar disso, a aceleração dos cortes não é o cenário-base da maioria dos economistas consultados pelo CNN Money , que condicionam uma mudança no ritmo à melhora consistente das expectativas de inflação e à adoção de medidas concretas para equilibrar as contas públicas.
Após o primeiro turno, as taxas futuras médias e longas recuaram mais de 100 pontos-base, segundo Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, um dos principais escritórios do Safra.
“O fator principal foi a leitura de maior probabilidade de mudança de orientação na política econômica em 2027, com expectativa de ajuste fiscal.
A continuidade, porém, depende de confirmação: resultado do 2º turno, sinalizações concretas de política fiscal e os próximos IPCAs”, avaliou a especialista ao CNN Money .
Há cinco reuniões, o Copom vem conduzindo um ciclo de calibragem da política monetária, com cortes de 0,25 ponto percentual em cada decisão .
Com isso, a Selic chegou aos atuais 13,75% ao ano.
O cenário-base do mercado é de que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13,25%, segundo o boletim Focus, do Banco Central.
A projeção indica mais dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim do ano.
Para 2027, a expectativa é de que a Selic termine o período em 12%.
Leia Mais Análise: Risco oculto cresce no mercado de títulos dos EUA Bitcoin cai abaixo de US$ 82 mil após ações da Strategy recuarem 9% Juros futuros sobem com cenário eleitoral no radar O economista para o Brasil do Morgan Stanley, Thiago Machado, ressaltou que a expectativa de consolidação fiscal pode favorecer os ativos brasileiros, mas, sem avanços nessa direção, “o espaço para uma queda adicional das taxas de juros futuros tende a ser mais limitado”.
Além da questão fiscal, economistas apontam a desaceleração da atividade econômica, a evolução das expectativas de inflação e o comportamento do câmbio como fatores determinantes para as próximas decisões do Copom (Comitê de Política Monetária).
Uma valorização persistente do real pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias, enquanto uma desaceleração mais intensa da economia tende a limitar a demanda por bens e serviços.
“Para que o Copom considere uma aceleração do ritmo de cortes, seria importante observar uma desaceleração mais clara da inflação de serviços, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao mercado de trabalho, além de avanços mais consistentes na reancoragem das expectativas de inflação”, explicou Leandro Padulla, economista do ASA.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.cnnbrasil.com.br — o conteúdo pertence a CNN Brasil.