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Brasil não sabia que 14 países latinos seguiriam EUA ao designarem PCC e CV

UOL Notícias ·
Brasil não sabia que 14 países latinos seguiriam EUA ao designarem PCC e CV

Nem o Palácio do Planalto nem o Itamaraty sabiam que as facções brasileiras PCC e CV seriam incluídas numa lista de 24 grupos "narcoterroristas" por outros 14 países da América Latina após uma reunião na tarde desta terça-feira, 22, às margens da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

O encontro, do qual nem Lula nem seu chanceler Mauro Vieira participaram, foi conduzido pelo líder americano Donald Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, e juntou chefes de Estados ou chanceleres de Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Todas eles integram a iniciativa Escudo das Américas, lançada em março, por Trump, na Flórida e da qual o Brasil não faz parte.

A reunião aconteceu pouco após as 14h, no horário local, depois que o presidente Lula e boa parte de sua equipe já tinham partido de volta para o Brasil (eles deixaram a ONU por volta 11h30).

"Portanto, hoje, peço a todas as nações sob o 'Escudo das Américas' que designem formalmente os narcoterroristas como ameaças comuns à estabilidade e que apliquem sanções contundentes contra todas as 24 organizações terroristas estrangeiras designadas pelos EUA. Antes de eu chegar, ninguém designava nada. Vocês estavam por conta própria, mas agora não estão mais", disse Trump na reunião, na qual discursou por cerca de 15 minutos.

O governo do Brasil disse que a resposta à iniciativa dos EUA e seus parceiros já tinha sido dada por Lula mais cedo, quando o presidente fez uma defesa enfática de seu plano de combate ao narcotráfico com parcerias de inteligência e exigiu o respeito à soberania nacional. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém" , afirmou. Lula se opôs à designação dos cartéis por ver riscos de intromissão dos EUA em assuntos domésticos e por achar a iniciativa pouco produtiva do ponto de vista do combate ao crime. Mas o presidente acompanhou as sucessivas vitórias eleitorais de candidatos de direita e trumpistas na região recentemente e a empolgação com que Washington via o estreitamento dessas relações.

"Mais uma para a conta", afirmou um embaixador brasileiro com conhecimento do assunto, qualificando a medida como uma nova ação de intromissão política americana no Brasil, que terá eleições no próximo dia 4. Embora reconheçam que os trumpistas conseguiram alinhavar um certo isolamento do Brasil na região, frustrando o plano de Lula de liderar a integração regional, diplomatas brasileiros argumentam que nem Brasil nem México estão incluídos no grupo costurado por Rúbio, e que são os dois maiores países da região, grandes demais para serem ignorados. Uruguai também ficou de fora (e seu presidente, Yamandu Orsi, foi o único chefe de Estado com quem Lula teve uma bilateral em sua passagem por Nova York).

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.

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