Quem é Rafael Fonteles, a aposta da Faria Lima para a Fazenda no Lula 4
Enquanto a Bolsa despenca, o dólar dispara e os juros futuros vão às alturas com a decepção dos agentes do mercado financeiro com a derrota de Flavio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, o mercado entra em compasso de espera para alguma sinalização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o comando da economia do país a partir de 2027. Diante das baixas expectativas de que o nome a ser escolhido para ocupar o Ministério da Fazenda no governo Lula 4 seja fora dos quadros do PT, a Faria Lima já elegeu a sua preferência: o governador do Piauí, Rafael Fonteles.
"Seria importante ter uma sinalização, para afastar nomes como Aloísio Mercadante", diz o CEO na EQI Asset, Ettore Marchetti. "O Fonteles pelo menos é alguém que entende de economia, com excelente formação." Na bolsa das apostas, o nome do vice-presidente Geraldo Alckmin também é mencionado, mas com menos entusiasmo.
Fonteles ganhou projeção nacional por usar inteligência para reduzir roubos de celular no Piauí — mirando a receptação e venda de aparelhos roubados, uma política que foi abraçada pelo Ministério da Justiça. Garoto prodígio com medalhas em olimpíadas estudantis e mestrado pelo Instituto Matemática Pura Aplicada do Rio, Fonteles foi reeleito no primeiro turno no início de outubro com 71% dos votos, e está concluindo um primeiro governo marcado pelo compromisso com controle de gastos públicos e a redução da pobreza. Antes de se eleger governador em 2022, Fonteles foi secretário da Fazenda de seu antecessor Wellington Dias (PT). Tinha 30 anos quando assumiu o posto, em 2015, exercendo a função até se desligar para disputar as eleições de 2022. Presidiu ainda o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal ), no biênio 2019/21.
No ano passado, Fonteles criou uma regra fiscal que limita o crescimento das despesas primárias correntes a 70%, deixando de fora saúde, educação e precatórios — e sacramentando o compromisso na constituição estadual. Fonteles privatizou a empresa de saneamento do estado Agespisa, vendida por R$ 1 bilhão em 2024 e viaja com frequência para o exterior para atrair investimentos, sobretudo para a área de energia renovável, o agronegócio e a economia digital.
O Piauí tem o 7º menor PIB do país. Movimenta R$ 80 bilhões e vem crescendo acima da média do Nordeste.
Mas não é só nos indicadores econômicos que seu governo tem se destacado. Entre 2018 a 2025, o Piauí saiu da 21ª primeira colocação no ranking do Ideb do Ensino Médio para o segundo lugar. Há 20 anos, o Piauí estava na lanterna. O estado tem conseguido reduzir indicadores de pobreza e pobreza extrema com políticas sociais de apoio à inclusão produtiva, agricultura familiar e fortalecimento do SUAS, o que segundo estudo do FGV-Ibre tem contribuído para potencializar os efeitos dos programas de transferência de renda federais (Bolsa Família e BPC).
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