Escassez de mão de obra é desafio no campo, aponta CNA
A escassez de mão de obra no campo é o principal desafio enfrentado pelos produtores rurais e os impactos vão desde atrasos nas operações e aumento dos custos, até a redução ou adiamento de planos de expansão na propriedade, aponta estudo inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
A pesquisa, realizada em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), mostra que os produtores enfrentam dificuldades não apenas para preencher vagas, mas também para reter trabalhadores e encontrar profissionais qualificados para acompanhar as transformações e a modernização do setor.
O diagnóstico sobre o “Mercado de Trabalho na Agropecuária: Evidências sobre Escassez de Mão de Obra e Produtividade” foi apresentado pela economista da CNA Isabel Mendes, na terça (25), no evento Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade, promovido pelo Sistema CNA/Senar, em parceria com Estadão.
O levantamento reúne evidências sobre disponibilidade, contratação e produtividade a partir de uma pesquisa direta feita com empregadores, de dados gerais e do mercado de trabalho e também com estudos complementares.
Resultados – Os resultados apontam que diferentes indicadores convergem para dificuldades relevantes de mão de obra. Segundo Isabel Mendes, 44,5% dos produtores apontaram a mão de obra como o principal desafio no campo, à frente de custos, clima e preços.
Além disso, 94,8% relataram alguma dificuldade de contratação; 84,3% operam com quadro inferior ao necessário e 88,3% disseram ter alguma consequência produtiva, como atrasos nas operações (48,7%), adiamento ou desistência de planos de expansão (48%), aumento dos custos com mão de obra (43,9%), antecipação de investimentos em mecanização e automação (42,6%) e redução da produção (42%).
Produtividade do agro – O estudo também revela que a agropecuária brasileira ampliou expressivamente a produção. A magnitude dessa transformação mostra que, entre 1995 e 2025, a produtividade por hora trabalhada na agropecuária aumentou 515%, contra 28% no conjunto da economia.
No período de 2012 a 2025, a área agrícola cresceu 43,2% enquanto o número de empregados por 100 hectares caiu 38,5%. Por outro lado, a dificuldade de contratar passou a estimular mudanças na demanda e a mecanização foi a principal estratégia citada individualmente para enfrentar o problema.
A economista da CNA explicou que a própria dificuldade de contratação no campo estimulou a mecanização.
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