Israel vai às urnas após guerra e enfrenta eleição mais imprevisível desde o ataque do Hamas
A menos de uma semana das eleições legislativas de 27 de outubro, Israel enfrenta uma das disputas mais incertas de sua história recente. Primeiro pleito desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, a votação ocorre após três anos de guerra regional, sob crescente isolamento internacional do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e em meio a uma campanha dominada por temas de segurança, colonização da Cisjordânia e o futuro das relações com os Estados Unidos.
Com informações de Frédérique Misslin , correspondente da RFI em Jerusalém, e AFP
As eleições legislativas marcadas para a próxima terça-feira (27) representarão um teste decisivo para o futuro político de Benjamin Netanyahu , que tenta manter no poder a coalizão mais à direita da história de Israel. A votação será a primeira realizada desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 , evento que transformou profundamente a política israelense e desencadeou uma guerra cujos desdobramentos continuam moldando o cenário eleitoral.
A poucos dias do pleito, as pesquisas apontam uma disputa extremamente apertada entre o bloco liderado por Netanyahu e a aliança de oposição comandada pelo ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, Gadi Eisenkot. Segundo os levantamentos mais recentes, nenhum dos dois campos políticos parece capaz de alcançar sozinho a maioria parlamentar necessária para formar governo.
O sistema eleitoral israelense aumenta ainda mais a incerteza. O Knesset, o Parlamento do país, possui 120 cadeiras, e qualquer coalizão precisa conquistar pelo menos 61 assentos para governar. Como a eleição é proporcional e o quadro partidário é altamente fragmentado, acordos entre legendas costumam ser indispensáveis para a formação de maiorias.
Para a cientista política Yael Shomer, da Universidade de Tel Aviv , as pesquisas indicam um impasse entre os dois principais blocos políticos. Segundo ela, fatores como a participação eleitoral e o desempenho dos pequenos partidos podem ser decisivos para definir a composição final do Parlamento.
A incerteza é ampliada pelo elevado número de indecisos. De acordo com os levantamentos divulgados nesta semana, cerca de 10% dos eleitores ainda não escolheram em quem votar, um índice considerado relevante numa disputa em que poucos assentos podem determinar a formação do próximo governo.
A campanha também ocorre em um contexto excepcional. Desde outubro de 2023, Israel esteve envolvido em sucessivas frentes de conflito, incluindo a guerra em Gaza, operações militares no Líbano e confrontos com o Irã, fatores que colocaram as questões de segurança no centro do debate político.
A composição do atual governo está entre os temas mais discutidos durante a campanha.
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