Uma Odisseia pela Arte
Ao pesquisar “Odisseia” hoje, o nome que primeiro aparece é o de Homero, mas a história por trás do poema épico é bem mais complexa.
A narrativa do herói Odisseu (ou Ulisses, em sua forma latinizada) tentando voltar para casa, Ítaca, após a Guerra de Troia, ganhou ainda mais notoriedade recentemente com o novo filme do diretor Christopher Nolan, estrelado por nomes como Matt Damon, Anne Hathaway, Charlize Theron, Tom Holland e Zendaya.
Mas a Odisseia não nasceu como um livro: ela começou como uma tradição oral, o que torna incerta até mesmo a identidade histórica de seu suposto autor, “Homero”.
Geralmente situada no final do século VIII ou início do século VII a.
C. , a obra era recitada por poetas, músicos e contadores de histórias das culturas antigas, que a transmitiam de geração em geração.
Por isso, a versão que conhecemos hoje, e que foi parcialmente adaptada no filme de Nolan, mudou ao longo dos séculos.
E a arte é testemunha viva dessas transformações.
Um exemplo está no Metropolitan Museum of Art, em Nova York, que guarda em seu acervo permanente o fragmento mais antigo já descoberto da Odisseia do período ptolomaico, datado de cerca de 285 a 250 a.
C.
Feito em papiro, papel produzido a partir dos caules da planta homônima e material preferido para registros permanentes na Antiguidade, como contratos de casamento, o fragmento contém três versos que não constam no texto padrão conhecido hoje, prova física de que diferentes versões locais da obra já circulavam no século III a.
C.
A peça ficou anos fora de exibição, guardada no acervo do museu, mas voltou às galerias recentemente, na ala de Arte Grega e Romana, impulsionada pelo interesse renovado em torno do filme de Nolan.
As obras de arte que retratam a Odisseia assumem formas variadas, de vasos a pinturas, passando por objetos do cotidiano.
Um amuleto de cornalina, pedra semipreciosa com tom entre o vermelho e o laranja, traz gravada a cena do Cavalo de Troia, episódio da Ilíada que funciona como prólogo da Odisseia e que também aparece no filme de Nolan.
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