O número que acendeu um novo alerta no mercado imobiliário nacional
O aumento dos distratos acendeu um alerta no mercado imobiliário de médio e alto padrão.
No primeiro semestre de 2026, os cancelamentos corresponderam a 21% das vendas brutas desses segmentos — em média, um contrato desfeito para cada cinco vendas realizadas, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
Trata-se da maior proporção desde o primeiro semestre de 2020.
O cenário evidencia as dificuldades de compradores que precisam conciliar a aquisição de um imóvel com juros elevados, crédito mais caro e um orçamento cada vez mais pressionado.
Para a parcela da classe média que não se enquadra nos programas habitacionais subsidiados, a compra depende ainda mais da capacidade de sustentar um compromisso financeiro de longo prazo.
Entre os fatores que comprometem esse planejamento estão o endividamento e a perda de capacidade de pagamento.
A advogada financeira Heloíza Soares chama atenção, inclusive, para os efeitos das apostas em jogos sobre o orçamento familiar e defende iniciativas de educação financeira dentro das empresas, como forma de conscientização e prevenção.
“Assumir um financiamento exige olhar além da renda disponível no momento da compra”, afirma a especialista.
Mudanças profissionais, despesas inesperadas e oscilações econômicas podem reduzir a capacidade de pagamento ao longo dos anos.
Uma prestação que hoje cabe no orçamento pode se transformar em um obstáculo à manutenção do equilíbrio financeiro da família.
A análise dos distratos também precisa considerar o cumprimento das obrigações pelas incorporadoras, já que se trata de uma relação entre o comprador e a empresa.
Em São Paulo, as reclamações por demora na entrega de imóveis vêm crescendo.
Segundo levantamento do Procon, foram registradas 785 queixas em 2024 e 1.
194 em 2025.
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