Imóvel de classe média nunca foi tão raro; o que mudou?
A escassez de moradias novas para famílias de classe média vem se agravando no Brasil e atingiu o pior patamar da história.
O “sumiço” desse tipo de imóvel reflete um diagnóstico bem conhecido, mas que piorou: juros altos dos financiamentos, subida dos custos de construção e famílias mais endividadas.
Por consequência, a casa própria ficou mais distante da população, e as construtoras estão deixando de lançar empreendimentos nesta categoria.
Os apartamentos com preço entre R$ 500 mil a R$ 2 milhões já foram o maior segmento do mercado imobiliário nacional, representando mais da metade das unidades comercializadas.
Mas o setor está em queda há quatro anos seguidos.
Hoje, corresponde a uma fatia de apenas 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas totais nas capitais, de acordo com levantamento da consultoria Brain Inteligência Imobiliária, divulgada com exclusividade para o Broadcast , sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
“Seguramente é um recorde de baixa.
Esse mercado sempre foi maior no Brasil”, afirmou o presidente da Brain, Fábio Tadeu Araújo, em entrevista.
Esses imóveis atendem famílias que ganham em torno de R$ 10 mil a R$ 30 mil por mês (o que é tratado como classe média no mercado imobiliário, embora estejam mais perto do topo da pirâmide social.
Abaixo disso entra o Minha Casa, Minha Vida).
Esse público geralmente paga 20% ou 30% de entrada e financia os 70% a 80% restantes.
Portanto, o juro alto por um período prolongado no Brasil afeta em cheio o valor da parcela e, consequentemente, a capacidade de pagamento das famílias.
“A taxa de juro é um fator central, porque dificulta as vendas”, apontou Araújo.
Leia também Vendas de apartamentos de luxo caem pela metade na cidade de São Paulo O crescimento da oferta contribuiu para o desgaste da propaganda de “exclusividade”, e a resposta de boa parte das incorporadoras tem sido a redução nos lançamentos A cada subida de 1 ponto porcentual na taxa de juros, a parcela do financiamento cresce a ponto de tirar a capacidade de compra de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas, segundo cálculos da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).
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