Gringo saiu, Ibovespa caiu: o que explica a retirada de R$ 20 bi da Bolsa em agosto?
O investidor estrangeiro acelerou a retirada de recursos da Bolsa brasileira em agosto.
Desde o começo do mês, R$ 20,4 bilhões deixaram a B3 – até o dia 18, último dado disponível –, em um movimento que ajudou a pressionar o Ibovespa e algumas das ações de maior peso do índice.
Nesta quinta-feira (20), a Bolsa fechou praticamente estável , aos 167.888 pontos , acumulando queda de 5,6% no mês .
A retirada ganhou intensidade em alguns pregões.
A maior saída de capital estrangeiro no mercado secundário da B3 ( B3SA3 ) em agosto ocorreu no dia 11, quando R$ 4,717 bilhões deixaram a Bolsa em uma única sessão .
Mais do que um movimento pontual, a sequência reforçou uma mudança de postura do investidor global em relação ao Brasil.
O que está por trás dessa debandada? Os analistas apontam para uma combinação de piora na percepção sobre o risco fiscal, aproximação das eleições, dúvidas sobre inflação e juros, incertezas externas e uma concorrência cada vez maior dos ativos americanos pelo capital global .
Ao mesmo tempo, o efeito apareceu onde o estrangeiro costuma concentrar boa parte de suas posições: nas blue chips.
Sabesp ( SBSP3 ), Bradesco ( BBDC4 ), Itaú Unibanco ( ITUB4 ), Axia Energia ( AXIA3 ), Vale ( VALE3 ) e Petrobras ( PETR4 ), que juntas representam parcela relevante do Ibovespa, passaram por forte volatilidade justamente durante a sequência de retirada de recursos.
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No intervalo analisado, o Ibovespa saiu da máxima de 180.679 pontos em 4 de agosto e chegou à mínima de 164.835 pontos no dia 14 , uma queda de aproximadamente 8,8% entre os extremos.
A movimentação não significa que toda a baixa possa ser atribuída exclusivamente ao capital estrangeiro.
Mercado, empresas e cenário macroeconômico têm seus próprios fatores.
Mas a coincidência entre saída acelerada de recursos externos, queda das maiores ações e enfraquecimento do índice é relevante.
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