A máquina pode errar. Você vai perceber?
Tenho usado inteligência artificial praticamente todos os dias.
Quanto melhor ela fica, mais impressionado eu fico com o que conseguimos fazer em tão pouco tempo.
Mas, ao mesmo tempo, uma pergunta começou a me incomodar.
Não é se a inteligência artificial vai substituir advogados, médicos, contadores, engenheiros, jornalistas ou executivos.
Minha dúvida é outra: o que acontece conosco quando não precisamos mais fazer justamente a parte difícil do trabalho? Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça encontrou uma situação que, até pouco tempo atrás, pareceria roteiro de ficção científica.
Havia em uma petição um comando escondido, escrito em fonte branca sobre fundo branco, destinado não ao ministro que julgaria o caso, mas a uma eventual inteligência artificial que fizesse a leitura daquele documento.
A intenção era interferir na maneira como a ferramenta interpretaria os argumentos apresentados.
O episódio foi considerado grave e comunicado à OAB e ao Ministério Público Federal.
O mais curioso nessa história talvez nem seja alguém ter tentado conversar escondido com uma máquina.
É o fato de já considerarmos perfeitamente possível que uma máquina esteja lendo aquilo que escrevemos.
E está.
Hoje, uma ferramenta de inteligência artificial consegue ler contratos, comparar documentos, pesquisar jurisprudência, organizar informações, transcrever reuniões, analisar planilhas, produzir textos e resumir milhares de páginas em uma velocidade que seria inimaginável poucos anos atrás.
Um processo que consumiria dias de trabalho pode ser organizado em minutos.
Uma reunião termina e, antes que alguém saia da sala, já existem resumo, ata e tarefas distribuídas.
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