Anatel manda teles bloquearem chamadas ligadas a golpe com número alterado
A Anatel determinou bloqueios e rastreamento de ligações com identificação de origem adulterada, prática conhecida como spoofing e frequentemente usada em golpes digitais.
Medidas cautelares publicadas ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) miram empresas apontadas como responsáveis por originar ou transportar grande volume de chamadas com indícios de spoofing. Ao todo, a agência emitiu seis decisões que combinam duas frentes: interromper o tráfego irregular e reconstruir a cadeia de encaminhamento para chegar ao efetivo originador.
Parte das decisões prevê bloqueios com prazo de até cinco dias, contados da ciência de cada despacho. Outra parte exige relatórios de rastreamento em até 30 dias e alerta que, se a origem do tráfego não for identificada, rotas e interconexões usadas nas chamadas investigadas podem ser bloqueadas.
Entre os bloqueios determinados, a TIM deve suspender por um mês a capacidade de originação de chamadas da ELO Contact Center Serviços em sua rede. Relatórios de fiscalização citados nos despachos apontam 5.287, 672.379 e 1.080.513 chamadas caracterizadas como spoofing associadas à atuação da empresa, e a operadora terá de comprovar à Anatel quando e como aplicou a medida.
Outra ordem de bloqueio atinge a Voros Telecomunicações, com determinação dirigida a Algar, Datora e Foco. A fiscalização identificou 164.082 chamadas com spoofing em um relatório e outras 2.436.445 em período posterior, e a liberação do bloqueio fica condicionada à comprovação de outorga compatível e à adoção de ações corretivas, como a autenticação de todas as chamadas originadas na rede da Voros.
As demais cautelares cobram rastreamento "chamada a chamada" para identificar quem iniciou e quem transportou o tráfego analisado. Em auditoria de ligações entre 27 de maio e 15 de junho de 2026, a Anatel registrou 12.827.156 chamadas com indícios de spoofing associadas à Algar, 9.513.402 à Surf, 6.327.469 à Itelco e 2.141.428 à US Matrix em rota de interconexão com a TIM.
Algar, Surf e Itelco devem informar quem originou as chamadas e quais agentes participaram do transporte do tráfego examinado. No caso da TIM, a exigência é rastrear as ligações encaminhadas pela empresa internacional US Matrix na rota investigada e entregar os dados de forma individualizada em arquivos CSV, com rota de entrada e identificação de prestadoras ou usuários envolvidos.
Em redes de telecomunicações, uma mesma chamada pode passar por diversas prestadoras nacionais e internacionais antes de chegar ao destinatário . Quando o número de origem é adulterado, identificar o verdadeiro originador exige reconstruir toda a cadeia de interconexão
Spoofing é a técnica de alterar indevidamente o número que aparece no identificador de chamadas, fazendo a ligação parecer que veio de outra pessoa ou empresa. Na prática, o telefone do destinatário pode mostrar um número conhecido, um prefixo local ou até um suposto SAC de banco, mesmo que a chamada tenha sido iniciada por terceiros.
Esse tipo de falsificação dificulta a rastreabilidade e atrapalha a identificação do responsável pela ligação, o que abre espaço para fraudes.
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