Juiz pernambucano denuncia preconceito por sotaque em restaurante de POA
O juiz Francisco Tojal, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), relatou ter sido vítima de xenofobia em um restaurante de Porto Alegre (RS).
O magistrado, que está na capital gaúcha para participar como palestrante de um evento, afirma que foi hostilizado por causa do sotaque nordestino.
Segundo o relato divulgado nas redes sociais, ele também foi alvo de tentativas de associação a posições políticas.
Tojal disse que estava vestido inteiramente de preto e que pretendia apenas fazer uma refeição e descansar.
Em pronunciamento público, o juiz afirmou que ficou paralisado diante da situação e sentiu medo de que a hostilidade evoluísse para agressões mais graves.
Ele ressaltou que, em razão das atribuições do cargo, não pode declarar em quem vota.
Segundo o magistrado, sua atuação é pautada pela aplicação da lei e pela defesa da humanidade e da dignidade das pessoas, independentemente de suas origens ou convicções.
Leia também: Venezuelanos no DF são alvos de pichações xenofóbicas Tojal também mencionou causas que considera importantes em sua trajetória, como o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres, a proteção da população LGBTQIAPN+, a igualdade de oportunidades para pessoas negras e a preservação dos biomas brasileiros.
Ao relatar o episódio, o magistrado destacou que diferenças regionais e divergências políticas não devem servir de justificativa para manifestações de intolerância ou discriminação.
Apesar do ocorrido, o juiz fez questão de separar a experiência individual da imagem da população do Rio Grande do Sul.
Ele descreveu os gaúchos como acolhedores e parceiros de causas humanitárias.
Tojal também agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas de amigos e instituições locais, entre elas a Presidência, a Vice-Presidência e a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), além da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris).
Leia também: ‘Não há espaço para racismo e xenofobia entre nós’, diz Lula para Portugal De acordo com o magistrado, o apoio recebido contribuiu para que as providências legais relacionadas ao caso fossem tomadas.
Ele afirmou que decidiu tornar a situação pública não apenas para relatar o que aconteceu, mas também para cumprir um dever ético e chamar a atenção para o preconceito regional.
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