“Açougueiro da Bósnia” morre aos 84 anos
Ratko Mladic, ex-chefe militar sérvio-bósnio, foi condenado por genocídio em Srebrenica e cumpria prisão perpétua desde 2011
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Ratko Mladić , apontado como principal responsável pelo massacre de Srebrenica, morreu nesta quinta-feira, 27, aos 84 anos, na cidade holandesa de Haia. A confirmação partiu da emissora estatal sérvia RTS e foi reforçada por uma autoridade das Nações Unidas.
O militar, apelidado de “Açougueiro da Bósnia” , cumpria pena de prisão perpétua desde 2021, após ser considerado culpado de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito bósnio, entre 1992 e 1995.
Nos últimos meses, o ex-comandante havia sofrido diversos derrames e enfrentava complicações médicas crônicas. Diante do agravamento do quadro, parentes e autoridades da Sérvia solicitaram sua saída da prisão por motivos humanitários . O tribunal internacional, no entanto, negou os pedidos.
Mladić foi capturado na Sérvia em 2011 , encerrando anos de fuga. A prisão foi apontada como etapa necessária para que o país avançasse rumo à candidatura de ingresso na União Europeia. A partir de então, permaneceu sob custódia da ONU, com internações hospitalares recorrentes.
Ao todo, ele respondeu a 11 acusações relacionadas a crimes cometidos na Bósnia-Herzegovina entre maio de 1992 e o final de 1995, sendo considerado culpado em dez delas no julgamento de 2017.
Integrante da cúpula política e militar sérvio-bósnia ao lado de Slobodan Milošević e Radovan Karadžić, Mladić comandou as forças responsáveis pela execução de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995.
As vítimas haviam se refugiado em uma zona sob proteção da ONU. O episódio é tratado como o mais grave ato de violência ocorrido em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
Relatos de sobreviventes descrevem execuções, torturas e estupros praticados por tropas sérvias-bósnias no período . Os corpos das vítimas foram enterrados em valas comuns, parte delas reaberta posteriormente para dificultar a identificação das provas.
A guerra da Bósnia , no total, resultou em aproximadamente 100 mil mortes e deslocou 2,2 milhões de pessoas.
Indiciado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) em novembro de 1995, Mladić só foi detido 16 anos depois. Durante esse período, viveu sob proteção de setores das Forças Armadas sérvias.
Ao longo do processo judicial, negou repetidamente as acusações e chegou a classificar a corte como “filho das potências ocidentais” .
Segundo o texto que relata sua morte, o tribunal descreveu, à época da condenação, os crimes atribuídos a ele como estando “entre os mais hediondos conhecidos pela humanidade” .
O ex-alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, chegou a definir Mladić como “a personificação do mal” — ainda que parte da população sérvia o tenha mantido como referência, descrevendo-o como um “homem simples” alçado ao comando por circunstâncias de guerra.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.