Gente de peso nas empresas começa a falar de recessão que economistas ainda não veem
Jornalista, foi secretário de Redação da Folha. É mestre em administração pública pela Universidade Harvard (EUA)
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Gente de peso da finança começa a dizer em público que 2027 pode ser de recessão. No final de julho, foi Arminio Fraga, economista, ex-presidente do Banco Central, da Gávea . Nesta semana, foi Alfredo Setúbal, CEO da Itaúsa, "holding" que tem parte do Itaú Unibanco e de um monte de empresas. Disse que o cenário é de " economia bastante desacelerada e podemos ter uma pequena recessão". Fraga parece mais pessimista do que Setúbal.
A mediana das estimativas da centena de economistas que manda previsões para o Banco Central é de crescimento do PIB de 1,5% no ano que vem . Os mais pessimistas acreditam por ora que o PIB cresça ao menos 0,7%, que é um nada perigoso, mas dificilmente será chamado de recessão.
De costume, essas previsões estão erradas, para o bem ou para o mal, quando não muito erradas por motivos ruins ou de explicação difícil (como foi o caso da economia brasileira de 2023 a 2025). O erro é esperado. Além das insuficiências das estatísticas, da teoria e da máquina matemática de fazer tais contas, simplesmente há choques e o Aleatório da Silva.
O que interessa aqui é que Fraga e Setúbal não estão fazendo exatamente estatística. Dirigem firmas relevantes ou enormes. Setúbal recomenda moderação e cautela às empresas de que tem parte. Fraga recomenda a empresas e famílias que fiquem com dinheiro em caixa e fujam de dívidas. Dizem que um tranco virá.
Para gente do governo, falar de recessão em 2027 é exagero eleitoral . Pode ser um erro de futurologia. Este jornalista não colocaria dinheiro na hipótese de que Fraga e Setúbal estejam, no caso, fazendo campanha para mudar votos. Se por mais não fosse, têm negócios e reputação para cuidar.
Muito relevante é que eles têm meios de enxergar miolos e miúdos da economia que não estão à vista do público. De resto, tratam de problemas que estão visíveis para quem tenha olhos de ver: excesso de endividamento público e privado, inadimplência ruim, portanto consumo limitado mesmo com estímulos do governo .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em noticias.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Notícias.